Composto de erva chinesa pode ajudar a combater câncer cerebral

Ingrediente ativo indirubina da erva bloqueia crescimento e migração de células cancerosas de tumores cerebrais agressivos.

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12 Julho 2011 | 20h04

Indigofera tinctoria. Crédito: Creative Commons

Indigofera tinctoria. Crédito: Creative Commons

O ingrediente ativo da erva tradicional chinesa indirubina pode ajudar na luta contra tumores cerebrais agressivos. De acordo com pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio, nos EUA, o composto bloqueia tanto a migração de células de glioblastoma quanto a de células endoteliais, prevenindo a metástase e a formação de vasos sanguíneos necessários para o tumor crescer.

A indirubina é derivada de plantas índigo. É o ingrediente ativo do remédio fitoterápico chinês conhecido como Dang Gui Long Hui Wan, usado no tratamento de leucemia mieloide crônica. O glioblastoma multiforme é uma das formas mais comuns e letais de câncer de cérebro, com uma sobrevida média de apenas 15 meses após o diagnóstico.

“Nós temos bons métodos para impedir o glioblastoma de crescer no cérebro humano, mas essas terapias fracassam porque as células do tumor migram do local original para crescer em outras partes do cérebro”, explica o professor de cirurgia neurológica E. Antonio Chiocca, pesquisador do estudo. “Nossas descobertas sugerem que a indirubina oferece uma nova estratégia terapêutica para esses tumores”.

Sean Lawler, um dos responsáveis pelo trabalho publicado no periódico Cancer Research, afirma que é a primeira vez que alguma droga produzida com algum exemplar da família indirubina mostrou aumentar a sobrevida de pacientes com glioblastoma. A importância se dá principalmente pelo fato de que o composto age de duas maneiras: impedindo a invasão de células cancerígenas no corpo e a angiogênese.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores usaram linhagens de células de glioblastoma múltiplo e dois modelos animais para examinar três derivados de indirubina. Quando as células eram transplantadas para um hemisfério do cérebro de ratos, a indirubina fez com que os animais sobrevivessem mais do que os do grupo de controle e não houve migração de células cancerosas para outro hemisfério. Além disso, a indirubina diminuiu a densidade e o crescimento dos vasos sanguíneos.

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