Confirmada existência de corda magnética gigante solar

Imagens captadas pelo telescópio AIA da sonda SDO da NASA confirmam a existência desta formação.

taniager

15 Junho 2011 | 23h52

Imagem do Sol tirada em 8 de março de 2011, mostrando numerosas voltas de campos magnéticos emanando como ilhas de múltiplas regiões ativas em toda superfície solar. A marcação na imagem foca a região ativa específica onde a corda magnética gigante foi descoberta. Crédito: NASA /George Mason University.

Imagem do Sol tirada em 8 de março de 2011, mostrando numerosas voltas de campos magnéticos emanando como ilhas de múltiplas regiões ativas em toda superfície solar. A marcação na imagem foca a região ativa específica onde a corda magnética gigante foi descoberta. Crédito: NASA /George Mason University.

Cientistas da Universidade de George Mason, EUA, descobriram recentemente que um fenômeno conhecido por “corda magnética gigante” é a causa das tempestades solares. Confirmar a existência desta formação é um primeiro passo para ajudar a atenuar os efeitos nefastos que erupções solares possam acarretar nas comunicações via satélite na Terra.

A descoberta foi feita pelo professor Jie Zhang e seu aluno Xin Cheng usando imagens da sonda SDO (Observatório Solar Dinâmico) da NASA.

Embora algumas suposições sugerissem que as erupções gigantescas no Sol pudessem ser causadas pela corda magnética, os cientistas não conseguiam provar que este fenômeno existia, por causa dos movimentos rápidos da corda.

No entanto, através de exame atento das imagens tiradas pelo telescópio AIA (Atmospheric Imaging Assembly) a bordo da SDO, Zhang foi capaz de identificar uma área do Sol onde estava se formando uma corda magnética. O conjunto de instrumentos do telescópio AIA é capaz de capturar imagens do Sol a cada 10 segundos, 24 horas por dia. Esta cadência sem precedentes no tempo ajudou na descoberta.

“A corda magnética dispara uma erupção solar. Os cientistas discutiam sobre se esta corda magnética existia, ou não, antes de uma erupção solar. Creio que o resultado desta excelente observação ajuda finalmente a resolver esta questão controversa”, diz Zhang. A tempestade solar é uma erupção violenta do Sol, enviando bilhões de toneladas de material carregado, também chamado de plasma, para o espaço a uma velocidade de mais de um milhão de quilômetros por hora. A nuvem de plasma carrega com ela um forte campo magnético. Quando a nuvem magnetizada atinge a Terra, um a três dias mais tarde, uma enorme quantidade de energia é depositada na magnetosfera terrestre.

Normalmente a magnetosfera da Terra protege seu ambiente deste vento solar prejudicial.  No entanto, uma tempestade solar tem o potencial de perturbar o efeito de blindagem e produzir uma condição grave no espaço, que pode ter efeitos nocivos sobre uma ampla gama de sistemas tecnológicos, incluindo a operação via satélite, comunicação e navegação, além de redes de energia elétrica.

A pesquisa de Zhang ajudará a antecipar alertas sobre tempestades solares, e também auxiliará na minimização de danos aqui na Terra causados pelas condições do espaço.

Acredita-se que campos magnéticos no Sol desempenham um papel essencial no armazenamento de energia e alimentam tempestades solares. No entanto, há um debate controverso sobre a forma exata que as linhas de campo magnético tomam antes da erupção solar. A maioria das linhas de campo são curvas semicirculares com seus pontos de base enraizados na superfície do Sol. Elas não podem entrar em erupção facilmente, e na verdade, muitas vezes impedem a erupção.

Os cientistas suspeitavam que a corda magnética, se realmente existisse, era o fenômeno que alimentava a erupção. Uma corda magnética contém muitas linhas de campo magnético, acondicionadas em torno de um eixo central e possivelmente se torcendo em torno umas das outras. Por causa da torção, uma forte corrente elétrica pode ser transportada por uma corda magnética. Teoricamente, a corrente elétrica poderia produzir uma força eletromagnética suficiente para superar a força de pressão de sobreposição de outras linhas de campo e alimentar a corda magnética para se mover para fora.

As imagens recentes do telescópio AIA revelam que antes de uma erupção existe um canal longo e baixo correndo através de toda a região ativa, que aquece a temperaturas tão altas quanto 10 milhões de graus e levanta-se lentamente. Quando ela atinge um ponto crítico, este canal começa a entrar em erupção rapidamente. É uma característica distinta das linhas de campo magnético circundante. Agora, os cientistas acreditam que este canal quente específico é a corda magnética que procuravam.

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