Criatividade e esquizofrenia apresentam mecanismos similares

Sistema dopaminérgico de pessoas saudáveis e extremamente criativas é semelhante ao de pessoas que sofrem de esquizofrenia.

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18 Maio 2010 | 11h03

Testes realizados pelo pesquisador mostram que pessoas criativas apresentam uma densidade menor de receptores de dopamina no tálamo, uma condição encontrada também em indivíduos com esquizofrenia.

Testes realizados pelo pesquisador mostram que pessoas criativas apresentam uma densidade menor de receptores de dopamina no tálamo, uma condição encontrada também em indivíduos com esquizofrenia.

Qual o segredo da criatividade? Um pouco de loucura, talvez? Parece confuso, mas um trabalho realizado no Instituto Karolinska, na Suécia, se debruçou sobre receptores do cérebro em pessoas sadias mostrando que alguns aspectos da criatividade podem ser muito semelhantes aos observados em indivíduos com esquizofrenia.

“Estudamos o cérebro e os receptores de dopamina D2 mostraram que o sistema dopaminérgico de pessoas saudáveis e extremamente criativas é semelhante ao de pessoas com esquizofrenia”, diz Fredrik Ullén, professor adjunto do departamento da mulher e da criança no Karolinska Institutet.

Há tempos especialistas observam que pessoas com doença mental na família têm altas habilidades criativas. Além disso, a característica está muito presente em indivíduos que sofrem de transtorno polar. Associações “bizarras” são compartilhadas por pessoas “geniais” e esquizofrênicas.

Embora haja respaldo científico para a associação, os mecanismos responsáveis por ela ainda são um mistério. De acordo com Ullén, isso talvez possa ser explicado pela maneira como sistemas no cérebro trabalham a dopamina, já que estudos anteriores mostram que genes receptores de dopamina têm relação com a habilidade de conceber pensamentos diversos.

Testes realizados pelo pesquisador mostram que pessoas criativas apresentam uma densidade menor de receptores de dopamina no tálamo, uma condição encontrada também em indivíduos com esquizofrenia. O tálamo funciona como uma espécie de central de revezamento, filtrando informações antes que elas atinjam áreas do córtex – responsável pela cognição e raciocínio.

“Uma quantidade menor de receptores D2 no tálamo pode, provavelmente, significar um menor grau de filtragem de sinais e, portanto, um fluxo maior de informação entre o tálamo”, sugere Ullén. “Pensar fora da caixa pode ser algo mais fácil quando a caixa é um pouco menos intacta”.

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