Aprendizado e memorização são afetados pela poluição

Estudiosos demonstram como os poluentes no ar desencadeiam mudanças físicas no cérebro de ratinhos.

taniager

05 Julho 2011 | 12h43

Os dentritos são os prolongamentos (marcados em azul) dos neurônios. São especializados para a recepção e transmissão de estímulos nervosos no cérebro. Crédito: Wikipédia.

Os dentritos são os prolongamentos (marcados em azul) dos neurônios. São especializados para a recepção e transmissão de estímulos nervosos no cérebro. Crédito: Wikipédia.

Vários estudos mostraram como a poluição pode afetar o nosso organismo, especificamente coração e pulmões, além de provocar pressão alta, diabetes e obesidade. Agora, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Ohio, EUA, divulgou os resultados da primeira pesquisa de longa duração envolvendo os efeitos nocivos do ar poluído no cérebro de ratos. Em artigo publicado na revista Molecular Psychiatry nesta semana, os estudiosos relatam como os poluentes no ar desencadeiam mudanças físicas no cérebro, problemas de memória e aprendizado e mesmo depressão.

Laura Fonken, neurocientista e autora principal do estudo, e seus colegas do Departamento de Neurociência da referida universidade expuseram ratos tanto ao ar filtrado quanto ao ar poluído por seis horas ao dia, cinco dias por semana durante 10 meses – quase metade da expectativa de vida destes animaizinhos.

O ar poluído contém matéria de partículas finas, o tipo de poluição criado por carros, fábricas e poeira natural. As partículas finas são minúsculas – perto de 2,5 micrômetros de diâmetro, ou cerca de 1/30 da largura média de um fio de cabelo humano. Estas partículas podem chegar às áreas profundas dos pulmões e outros órgãos do corpo.

A concentração de partículas a que os ratos foram expostos era equivalente aquela em que as pessoas ficam expostas em algumas áreas urbanas poluídas, de acordo com os pesquisadores. Após 10 meses de exposição ao ar poluído ou filtrado, os pesquisadores realizaram uma variedade de testes comportamentais nos dois grupos de animais.

Em um teste de memória e aprendizagem, os ratos submetidos ao ar poluído precisaram de mais tempo para aprender e depois se lembrar de algumas tarefas em comparação com os ratos expostos ao ar filtrado. Em outra experiência, ratos expostos ao ar poluído demonstraram um comportamento mais depressivo e maiores níveis de ansiedade em relação aos que respiraram ar puro.

Os pesquisadores foram ainda mais a fundo no estudo ao examinar o hipocampo – área cerebral associada ao aprendizado, memória e depressão – dos ratinhos, a fim de encontrar uma resposta significativa em termos físicos. Descobriram claras diferenças físicas nesta região do cérebro ao comparar os dois grupos de ratos.

Ratinhos expostos ao ar poluído apresentaram: poucas espinhas dentríticas (pequenas projeções dos dentritos que recebem e transmitem sinais de um neurônio para outro); dentritos curtos (veja figura ao lado); e reduzida complexidade celular do cérebro.

Em outros trabalhos, vários dos coautores desse estudo do centro de pesquisa Davis haviam descoberto que a exposição crônica ao ar poluído levava à inflamação generalizada no corpo, inflamação que é vinculada a uma variedade de problemas de saúde em seres humanos, incluindo depressão. Este novo estudo encontrou provas de que esta inflamação em baixo grau é evidente no hipocampo.

Folken suspeita de que a inflamação sistêmica causada pela inspiração de poluentes no ar está sendo comunicada ao sistema nervoso central.