Descoberta de nova forma de invasão da malária sugere vacina eficiente

Anualmente mais de 400 milhões de pessoas contraem a malária, e mais de um milhão morrem devido à doença.

taniager

24 Setembro 2010 | 12h57

Professor Alan Cowman, líder da equipe responsável pela descoberta. Crédito: cortesia do Institue of Medical Research Walter + Eliza Hall.

Professor Alan Cowman, líder da equipe responsável pela descoberta. Crédito: cortesia do Institue of Medical Research Walter + Eliza Hall.

Um novo caminho usado pelo parasita da malária para invadir as células vermelhas do sangue foi identificado por pesquisadores do Instituto The Walter and Eliza Hall. A descoberta é mais um passo adiante para o desenvolvimento de uma vacina eficiente contra a infecção da doença mortal.

Anualmente mais de 400 milhões de pessoas contraem a malária, e mais de um milhão, principalmente crianças, morrem devido à doença. A forma mais letal de malária é causada pelo parasita Plasmodium falciparum. Parte do sucesso do parasita reside na sua capacidade de encontrar várias maneiras de invadir células vermelhas do sangue, processo essencial para a sobrevivência do parasita dentro do hospedeiro humano. 

O líder da equipe de pesquisadores Alan Cowman explica que o parasita está sempre inovando os caminhos de entrada para driblar a defesa do corpo humano. O Plasmodium falciparum “é como um ladrão mestre – ele tentará uma variedade de métodos diferentes para entrar na casa e não apenas pela porta da frente”.   

O novo estudo mostrou que nem sempre o parasita utiliza as proteínas glicoforinas como meio para entrar nos glóbulos vermelhos. Outro caminho envolve a família PfRh4 de proteínas de superfície para a reconhecimento de células receptoras de complemento “1” do sangue vermelho (CR1). 

“O percurso PfRh4-CR1 é um dos mais importantes padrões de caminhos já identificados de entrada dos parasitas da malária em células,” disse  professor Cowman. “Estamos agora na fase onde podemos ter identificado a melhor combinação de proteínas para uma vacina e está pronto para iniciar o desenvolvimento clínico.” 

Os pesquisadores argumentam que há uma diminuição de 90 % de infecção destas células pelo parasita quando os caminhos padrões de entrada, que envolvem a glicoforina e os CR1, são bloqueados.

Os resultados do estudo sugerem que existe uma boa chance de reduzir significativamente a infecção da malária se uma vacina estimular o sistema imunológico a reconhecer e gerar anticorpos para os caminhos de invasão predominantes.

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