Novo alvo terapêutico para tratamento de câncer de olho na infância

Pequeno segmento específico de RNA poderia desempenhar um papel fundamental no crescimento de retinoblastoma.

taniager

04 de agosto de 2011 | 21h54

Células da retina com retinoblastoma. Crédito: Carnegie Institution for Science of Washington.

Células da retina com retinoblastoma. Crédito: Carnegie Institution for Science of Washington.

Uma nova pesquisa de uma equipe incluindo vários cientistas da Instituição Carnegie para a Ciência, EUA, demonstra que um pequeno segmento específico de RNA poderia desempenhar um papel fundamental no crescimento de um tipo de tumor maligno de olho na infância conhecido como retinoblastoma. O tumor está associado a mutações de uma proteína chamada Rb, ou proteína retinoblastoma. A Rb disfuncional também está envolvida em outros tipos de cânceres, incluindo pulmões, cérebro, peito e osso. O trabalho, que estará na capa de 15 de agosto da revista Genes & Development, poderia resultar em um novo alvo terapêutico para tratar esta forma rara de cancro e possivelmente outros cancros também.

O microRNA é um filamentos curto e específico de material genético que se liga ao filamento mais longo do RNA mensageiro – portador que transporta o código genético do DNA do núcleo para o ribossomo da célula, local onde é traduzido para a síntese de proteínas. Esta atividade de ligação permite aos microRNAs silenciarem a expressão de genes selecionados de forma orientada. Versões anormais de microRNAs têm sido associadas com o crescimento de vários tipos de câncer.

O trabalho concentra-se em uma molécula de microRNAs denominada miR-17 ~ 92. Uma pesquisa recente mostrou que versões aberrantes desta molécula estão envolvidas na prevenção da morte de células pré-cancerosas e possibilitando que proliferam em tumores. Trabalhos anteriores mostraram que a miR-17 ~ 92 pode estar envolvida na sobrevivência das células de linfoma e leucemia, reduzindo os níveis de uma proteína de supressão de tumor chamada PTEN.

A nova pesquisa da equipe mostra que a miR-17 ~ 92 também pode estar envolvida no retinoblastoma, apesar de não agir da mesma forma, via proteína PTEN, como faz em outros tipos de cânceres. Em vez disso, atua ajudando células sem a proteína supressora de tumor Rb a se proliferarem.

Segundo David MacPherson, membro da equipe de estudo e um dos autores do artigo, estes resultados — que mostraram como a miR-17 ~ 92 supera as tentativas da célula para compensar a perda de Rb — poderiam ser semelhantes em outros tipos de cânceres. “Esta molécula de microRNA poderia representar um novo alvo terapêutico para o tratamento de tumores causados por deficiência de Rb”.