Descoberta nova ordem de insetos do Cretáceo Inferior da América do Sul

Os fósseis de 120 milhões de anos, denominados de Coxoplectoptera, fornecem orientações adicionais sobre a evolução dos insetos.

taniager

20 Julho 2011 | 15h29

Coxoplectoptera adulta. Crédito: SMNS, Bechly / Staniczek.

Cientistas do Museu de História Natural de Stuttgart na Alemanha descobriram uma nova ordem de insetos do Cretáceo Inferior da América do Sul. Os fósseis de 120 milhões de anos, denominados de Coxoplectoptera por seus descobridores, fornecem orientações adicionais sobre a evolução dos insetos. Os resultados foram publicados em edição especial da revista Insect Systematics & Evolution recentemente.

O grupo de trabalho liderado por Dr. Arnold Staniczek e Dr. Günter Bechly, ambos especialistas do museu em insetos muito antigos, confirma que os fósseis são parentes extintos daqueles voadores atuais. Os Coxoplectoptera, no entanto, diferem significativamente dos insetos voadores modernos, bem como de todos os outros insetos conhecidos, em anatomia e modo de vida. Graças à descoberta de espécimes adultos alados e larvas muito bem preservadas, os cientistas foram capazes de esclarecer a posição filogenética destes animais.

Estes seres alados são como uma colcha de retalhos, compostos por diferentes características encontradas em vários insetos atuais: possuem asas de uma Ephemeroptera – inseto aquático com breve vida na fase adulta conhecido popularmente como mosca de maio –; abdômen e forma da asa de uma libélula; e pernas de um louva-deus. Por esta razão, os pesquisadores sugerem o nome alemão “chimärenflügler” (voador quimérico) para este novo grupo de insetos.

Larva de Coxoplectoptera. Crédito: SMNS, Bechly / Staniczek.

Larva de Coxoplectoptera. Crédito: SMNS, Bechly / Staniczek.

A excelente preservação das larvas permitiu aos pesquisadores a verificação de detalhes da anatomia por meio da utilização de técnicas de microdissecação. Contudo, o modo de vida das larvas é ainda um grande quebra-cabeça: embora algumas das características destas larvas e suas incorporações mostrem claramente que eram habitantes dos rios, diferem fisicamente de todos os outros insetos aquáticos conhecidos.

A anatomia única indica que estes animais eram predadores vivendo parcialmente enterrados no leito de rios. O estilo de vida predatório é sugerido pela forma como foram desenvolvidas as pernas dianteiras e as pinças (como mandíbulas). Também a carapaça corporal, o achatamento lateral do corpo atarracado e as patas traseiras apontam para uma vida subterrânea.

Além disso, estes animais forneceram pistas para o debate polêmico de longa data sobre a origem evolutiva das asas de insetos: os cientistas presumem que as asas originaram-se na espinha torácica, enquanto os genes das pernas eram recrutados para controlar a evolução das asas.

Apresentando vestígios do modo de vida de insetos primitivos do Cretáceo Inferior, há cerca de 120 milhões de anos atrás, a “quimera voadora” levou a classificação filogenética para novas noções sobre a relação de insetos voadores originais e a ancestralidade das moscas de maio (mayflies). A descoberta da Coxoplectoptera contribui para uma melhor compreensão da evolução dos insetos.