Descoberta traz nova esperança de cura para portadores do vírus HIV

Pesquisadores canadenses e australianos identificaram o mecanismo de entrada do vírus HIV em células dormentes.

taniager

20 Setembro 2010 | 16h15

Crédito: cortesia da Universidade de Monash.

Crédito: cortesia da Universidade de Monash.

Pesquisadores da Universidade de Monash, Austrália, em conjunto com a Universidade de Montreal, Canadá, identificaram o mecanismo de entrada do vírus do HIV em células dormentes. A descoberta é importante para desenvolver novas opções de tratamento. O artigo da pesquisa foi publicado no Proceedings of the National Academy of Science (PNAS) nesta semana.

Um dos principais obstáculos à cura do HIV tem sido o mistério que cerca a entrada do vírus nas células dormentes e como o vírus pode permanecer oculto por anos nestas células, apesar do tratamento prolongado com medicamentos. Mas, uma equipe de pesquisadores conseguiu identificar agora o caminho pelo qual o vírus pode infectar células dormentes CD4-T e estabelecer a latência.

Latência é a capacidade do HIV de integrar seu material genético dentro do genoma de células CD4-T de memória dormente, onde ele permanece inativo, mas apto a se reativar a qualquer causa que possa dar início à replicação.  

“Nós mostramos que as proteínas chamadas quemoquinas, que guiam células dormentes através do sangue e no tecido do gânglio linfático, podem ‘desbloquear a porta’ e permitir que o HIV entre e configure uma infecção silenciosa ou latente”, disse Sharon Lewin, coautor da pesquisa pela Universidade de Monash. 

Lewin explica que quando o vírus entra nas células dormentes, ele pode ir “dormir” também. As células infectadas “silenciosamente” não são limpas por medicamentos ou pelo sistema imunológico. Uma vez que um paciente deixa de tomar as drogas anti-HIV, o vírus pode acordar e atuar novamente. 

Segundo Paul Cameron, também coautor do estudo na Universidade de Monash, as noções básicas sobre este mecanismo permitirão que novas abordagens de tratamento possam ser desenvolvidas para bloquear a infecção latente, ou mesmo, desenvolver novas drogas que a eliminem.

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