Como morcego mantém seu alvo por sonar apesar de ruídos do ambiente

A chave reside na resposta neural destes mamíferos aos ecos provenientes de seus pulsos de sonar.

taniager

29 Julho 2011 | 19h27

Morcegos usam variação harmônica para distinguir os ecos de obstáculos ou outros ruídos de fundo que cercam o destino escolhido. Isso acontece instantaneamente. Crédito: Brown University.

Morcegos usam variação harmônica para distinguir os ecos de obstáculos ou outros ruídos de fundo que cercam o destino escolhido. Isso acontece instantaneamente. Crédito: Brown University.

Neurocientistas da Universidade de Brown, EUA, aprenderam como os morcegos podem manter o alvo apesar dos obstáculos. A chave reside na resposta neural destes mamíferos aos ecos provenientes de seus pulsos de sonar: diferenças no atraso, tão pequenas quanto três microssegundos entre partes de um eco, são suficientes para dizer ao morcego que um objeto não é o seu destino. A investigação pode levar à pontuação mais precisa para veículos sonares. Os resultados foram publicados na revista Science recentemente.

Os morcegos podem alcançar um alvo, praticamente descartando outros objetos em seu meio. O truque está em seus neurônios: morcegos podem separar uma enxurrada de ecos retornando de suas explosões de sonar, distinguindo as alterações na amplitude — a intensidade do som — entre diferentes partes de cada eco dentro de 1.5 decibéis, para decidir se o objeto é um destino ou apenas desordem de fundo.

A mudança de um minuto na amplitude é suficiente para causar um atraso na resposta neural dos morcegos para um eco, deixando o morcego saber o que é desordem e o que é alvo. É como se o morcego estivesse usando duas câmeras — uma principal que o mantém preso ao seu destino por força de sua resposta neural para o eco e outra, uma câmera secundária que registra objetos da cercania, mas não se fixa sobre eles.

“Tudo o que o morcego vê usando o sonar é baseado no tempo de respostas neurais e nada mais,” disse James Simmons, professor de neurociência de Brown e um dos autores do artigo.

A investigação é importante porque poderia ajudar a refinar a maneabilidade de veículos guiados por sonar e melhorar sua capacidade de permanecer fixo em um destino mesmo em arredores densos e perturbadores.