Desnaturação em proteína é associada a desordens de espectro autista

Desnaturação ocorre quando a proteína perde sua estrutura secundária e/ou terciária, ou seja, o arranjo tridimensional da cadeia polipeptídica é rompido.

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10 Setembro 2010 | 18h03

A desnaturação ocorre quando a proteína perde sua estrutura secundária e/ou terciária, ou seja, o arranjo tridimensional da cadeia polipeptídica é rompido, fazendo com que, quase sempre, a proteína perca sua atividade biológica característica. Crédito: Wikipedia.

A desnaturação ocorre quando a proteína perde sua estrutura secundária e/ou terciária, ou seja, o arranjo tridimensional da cadeia polipeptídica é rompido, fazendo com que, quase sempre, a proteína perca sua atividade biológica característica. Crédito: Wikipedia.

Uma equipe internacional de pesquisadores, liderada pela Universidade da Califórnia, San Diego, nos EUA, identificou desnaturação proteica e outras anormalidades em uma proteína chave do cérebro, associadas a desordens de espectro autista.

Em artigo publicado no Journal of Biological Chemistry, a proteína neuroligina-3 é transformada por mutações no gene, resultando em deficiências no tráfego de informações que podem levar a uma comunicação anormal entre os neurônios.

Acredita-se que a desnaturação genética de neuroliginas leve a funções anormais das sinapses. “Faz sentido acreditar que haja uma conexão”, diz Palmer Taylor, um dos autores do artigo. “As neuroliginas estão envolvidas na manutenção das sinapses neurais e suas anomalias podem causar doenças de desenvolvimento neurológico”.

Neuroliginas são proteínas pró-sinápticas que ajudam na ligação dos neurônios durante as sinapses, conectado com proteínas pré-sinápticas conhecidas como neurexinas. Elas são parte de uma grande família de proteínas conhecida como alpha beta hidrolase, que incluem muitas moléculas com funções diversas: adesão, secreção, entre outras.

A equipe cultivou neurônios em laboratório, descobrindo que diferentes mutações causam diferentes graus de dobramento da estrutura da proteína. Isso foi traduzido em diferentes deficiências no tráfego, resultando em doenças distintas congênitas no sistema endócrino ou nervoso.

“Se a mutação é identificada precocemente, pode ser possível salvar neurônios afetados antes que conexões sinápticas anormais sejam estabelecidas”, afirma o co-autor do trabalho Davide Comoletti. “Mas ainda há muito trabalho. Nós podemos ser capazes de encontrar um tratamento para corrigir uma célula em uma cultura, mas para resgatar a função ‘in vivo’ pode não ser viável com a mesma estratégia”.