Desvendada origem do anel gigante de vapor d’água de Saturno

Astrônomos reuniram dados de várias observações para constatar que o fenômeno é causado por jatos de água expelidos pela lua Enceladus.

taniager

26 Julho 2011 | 11h34

Ao menos quatro plumas distintas de gelo de água vomitam da região polar sul da lua de Saturno. A luz refletida que sai do planeta está iluminando sua lua enquanto o Sol, posicionado quase diretamente atrás de Encéladus, está iluminando as plumas por trás. Esta vista mostra o lado da lua voltado para o planeta dos aneis (504 quilômetros de diâmetro). O norte é para cima.  A imagem foi tirada pela sonda Cassini em 25 de dezembro de 2009. Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Ao menos quatro plumas distintas de gelo de água vomitam da região polar sul da lua de Saturno. A luz refletida que sai do planeta está iluminando sua lua enquanto o Sol, posicionado quase diretamente atrás de Encéladus, está iluminando as plumas por trás. Esta vista mostra o lado da lua voltado para o planeta dos aneis (504 quilômetros de diâmetro). O norte é para cima. A imagem foi tirada pela sonda Cassini em 25 de dezembro de 2009. Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Cientistas do observatório espacial Herschel da ESA (Agência Espacial Europeia) desvendaram um mistério de 14 anos acerca da origem de um torus gigante – uma enorme rosquinha – de vapor d’água ao redor da atmosfera superior do planeta Saturno. Segundo relato publicado hoje no site da ESA, o fenômeno é causado por jatos de água expelidos por sua lua Enceladus, única lua do Sistema Solar capaz de influenciar a composição química de seu planeta.

Os jatos de vapor d’água são expelidos do polo sul de Enceladus, de uma região conhecida como Listras de Tigre, com uma vasão de 250 quilos por segundo. Apesar da enorme dimensão do torus, com largura 10 vezes maior que o raio de Saturno e espessura de um raio deste planeta, a detecção do vapor d’água somente é possível em comprimentos de ondas infravermelhas.

A primeira observação da presença de água na atmosfera superior de Saturno foi feita em 1997 pelo observatório da ESA. Mas somente agora, utilizando em modelos computacionais as últimas observações da Herschel, os astrônomos puderam determinar a origem do vapor: 3 a 5% da água expelida pela Enceladus acabam caindo no planeta dos anéis. Esta pequena fração é responsável pela produção adicional de compostos de oxigênio, como o dióxido de carbono.

Em última análise, a água na atmosfera superior de Saturno é transportada para níveis mais baixos, onde irá condensar-se. Mas a quantidade é demasiada pequena para que as nuvens resultantes sejam observáveis. Reunindo as observações do Observatório Espacial de Infravermelho da ESA, a descoberta dos jatos de Enceladus pela missão NASA/Cassini/Huygens e as observações recentes da Herschel, os cientistas puderam desvendar o mistério da origem do torus de vapor d’água em Saturno.