Desvendado mecanismo que protege “sem-teto” da toxoplasmose

O sistema de resposta ao estresse do Taxoplasma ajuda o parasita a sobreviver na viagem em busca de novas células para infectar.

taniager

20 Setembro 2010 | 21h11

A imagem mostra dois parasitas Toxoplasmas fora de suas células hospedeiras. As trilhas são proteínas deixadas para trás quando o parasita desliza no substrato usado durante a produção da imagem. Crédito: cortesia da Universidade de Medicina/ Bradley Joyce.

A imagem mostra dois parasitas Toxoplasmas fora de suas células hospedeiras. As trilhas são proteínas deixadas para trás quando o parasita desliza no substrato usado durante a produção da imagem. Crédito: cortesia da Universidade de Medicina/ Bradley Joyce.

Cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Indiana, EUA, descobriram como funciona o sistema de resposta ao estresse do parasita responsável pela toxoplasmose. O sistema ajuda o parasita a sobreviver na viagem em busca de novas células para infectar. Em artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, os pesquisadores argumentam que a descoberta pode contribuir para inovar tratamentos contra a doença. 

Parasitas como o Toxoplasma gondii  invadem células hospedeiras, replicam e, em seguida, precisam sair para encontrar novas células hospedeiras para invadir. Quando viajam fora das células hospedeiras, estes parasitas ficam expostos ao estresse causado pelo ambiente diferente. O estresse limita o quanto eles podem permanecer viáveis durante a procura por novas células hospedeiras. 

Os pesquisadores descobriram que este parasita aciona um mecanismo de resposta de estresse que altera a produção de proteínas através de fosforilação de um fator chamado eIF2. Assim, sua sobrevivência fica garantida nos períodos em que ele está fora de uma célula hospedeira. A fosforilação é um processo celular no qual um fosfato é adicionado a uma proteína para alterar sua atividade.  

“O Toxoplasma não gosta de ser um sem-teto,” disse William j. Sullivan Jr., membro da equipe de estudo e professor de farmacologia e toxicologia. “Ficar destituído de nutrientes e abrigo fornecidos pela célula hospedeira exerce uma grave tensão sobre o parasita. Nossa pesquisa descobriu um caminho crítico que o parasita usa para sobreviver à viagem de uma célula hospedeira à outra”. 

Estudos anteriores já haviam mostrado que o mesmo sistema de resposta é utilizado pelo Toxoplasma quando sua célula hospedeira está estressada. O parasita então se transforma em cisto cercado por uma barreira protetora que pode resistir às drogas e ao sistema imunológico do corpo humano afetado. Mais tarde, no entanto, o parasita pode sair de seu estado dormente para atacar quando o sistema imunológico do paciente está enfraquecido. 

“Nossas descobertas mais recentes indicam que, se pudermos projetar novas drogas que bombardeiem este padrão de resposta ao estresse, estas drogas podem ser eficazes contra a infecção aguda e crônica por Toxoplasma”, acrescentou Sullivan. 

Somente nos Estados Unidos, cerca de 60 milhões de pessoas estão infectadas com o parasita da toxoplasmose, mas a maioria das infecções produz sintomas gripais ou nenhum sintoma. No entanto, em pessoas com deficiência no sistema imunitário – como aquelas que se sujeitam à quimioterapia, transplante de coração ou pessoas com AIDS – a doença pode causar complicações fatais, incluindo problemas cardiopulmonares, visão borrada e ataques. Além disso, se uma mulher for infectada pela primeira vez pouco antes ou durante a gravidez, há risco de aborto espontâneo ou defeitos congênitos no bebê.

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