Diferenças entre cérebro humano e de chimpanzé decorrem da idade

Nosso cérebro encolhe conforme envelhecemos, mas os cérebros destes nossos parentes vivos mais próximos não.

taniager

26 Julho 2011 | 15h36

Professor Chet Sherwood, chefe da equipe de pesquisa. Crédito: The George Washington University.

Professor Chet Sherwood, chefe da equipe de pesquisa. Crédito: The George Washington University.

Um estudo realizado na Universidade George Washington, EUA, revelou diferenças entre os cérebros de chimpanzés e os de seres humanos: nosso cérebro diminui de volume conforme envelhecemos, mas os cérebros destes nossos parentes vivos mais próximos não. Existem muitas semelhanças entre as duas espécies, mas esta descoberta revela uma distinção importante, demonstrando que os seres humanos são únicos em relação a outros animais. O estudo “Aging of the Cerebral Cortex Differs Between Humans and Chimpanzees” é o primeiro do gênero neste campo e foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences ontem.

“Embora outros animais experimentem alguma perda cognitiva e atrofia cerebral com a idade, parece que o envelhecimento humano é marcado pela degeneração mais dramática,” disse Dr. Chet Sherwood, chefe de equipe da pesquisa e professor de antropologia da Faculdade Colombiana de Artes e Ciências da referida universidade.

Para o estudo, os pesquisadores usaram imagens de ressonância magnética (MRI) para medir o volume do cérebro inteiro e numerosas estruturas internas específicas de uma amostra de 99 cérebros de chimpanzés variando entre 10 e 51 anos de idade. Esses dados foram comparados com volumes de estruturas cerebrais medidos em 87 humanos entre 22 e 88 anos de idade. Foram executadas medições de matéria neocortical cinzenta e branca, matéria cinza e branca do lobo frontal e o hipocampo. Em contraste com os seres humanos, que mostraram uma diminuição do volume de todas as estruturas do cérebro durante o tempo de vida, chimpanzés não exibiram alterações significativas relacionadas com a idade. Além disso, os efeitos do envelhecimento em seres humanos só eram evidentes somente após a idade máxima de chimpanzés. Os pesquisadores concluíram que o encolhimento do cérebro visto no envelhecimento humano é evolutivamente novo e é o resultado de uma vida útil prolongada.

O hipocampo, a área do cérebro responsável pela codificação de novas memórias e manutenção da navegação espacial, foi de particular interesse para os pesquisadores, uma vez que esta área é especialmente vulnerável na idade associada à atrofia nos seres humanos. Além disso, o hipocampo é a região do cérebro mais acentuadamente afetada pela doença de Alzheimer (AD), uma doença que é vista principalmente em seres humanos mais velhos. AD é uma forma de demência associada com a perda de função cerebral, afetando memória, pensamento e comportamento. Esta doença é um resultado da neurodegeneração – perda progressiva da estrutura ou função dos neurônios, incluindo a morte de neurônios. A única vulnerabilidade vista em seres humanos para desenvolver AD pode ser, em parte, devido à tendência humana para mostrar uma atrofia cerebral mais pronunciada do que a de qualquer outra espécie, mesmo no envelhecimento normal e saudável.

“O que é, na verdade, incomum nos seres humanos é a combinação de uma vida extremamente longa e um cérebro grande,” disse Dr. Sherwood. “Embora certamente haja benefícios por parte destas adaptações, parece que o declínio mais intenso no volume cerebral nos idosos de nossa espécie é um custo.”