Atividade voluntária é uma característica altamente hereditária

A atividade voluntária é uma característica que pode ser transmitida geneticamente a gerações sucessivas.

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01 Setembro 2010 | 14h35

De acordo com uma pesquisa da Universidade da Califórnia em Riverside, nos EUA, a atividade voluntária (como o exercício diário) é uma característica altamente hereditária. Ou seja: pode ser transmitida geneticamente a gerações sucessivas.

A equipe trabalhou com ratos de laboratório, descobrindo que o nível de atividade pode ser melhorado com a criação seletiva, processo que busca determinar certos traços genéticos em linhagens específicas. Os resultados mostram que animais que foram criados para se tornarem bons corredores produziram descendentes atléticos também.

“Nossos resultados têm implicações para a saúde humana”, diz Theodore Garland, professor de biologia responsável pelo estudo. “Intervenções farmacológicas poderiam, no futuro, tornar para pessoas a prática de exercícios algo mais agradável”. A ideia seria, neste sentido, tratar indivíduos com medicamentos que modifiquem os níveis de atividade de genes específicos responsáveis por estas características.

“Temos uma enorme epidemia de obesidade na sociedade ocidental, e ainda temos pouco conhecimento do que determina a variação entre os indivíduos para os níveis de exercício voluntário”, diz Garland.

O traballho começou em 1993, com 224 ratos. A equipe dividiu estes animais aleatoriamente em oito linhas: quatro que serviam para os altos níveis de atividade diária, quatro como controle. Mediram a distância que os corredores corriam voluntariamente por dia sobre rodas presas à gaiola.

Milhares de ratos nasceram a cada geração. Após quatro gerações, os pesquisadores conseguiram produzir animais altamente ativos, ao selecionar o maior macho e fêmea dos experimentos. Ao estudar as diferenças entre as linhagens, eles descobriram que os roedores em quatro linhagens de alta atividade correram até três vezes mais por dia em relação aos animais do grupo de controle. Fêmeas evoluíram de forma diferente dos machos, aumentando a distância percorrida, ao passo que os do sexo masculino aumentaram a velocidade.

“Este estudo de evolução experimental confirma algumas observações anteriores e levantas novas questões”, ressalta Douglas Futuyma, professor emérito de ecologia e evolução na Universidade Stony Brook, em Nova Iorque, e que não participou do trabalho. “Isso mostra que há muitas formas de esfolar um gato: diferentes maneiras pelas quais uma espécie pode evoluir para uma característica de atividade adaptativa.

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