Equipe de escavação em Israel encontra anel de bronze gravado com a face de Apolo

O anel, por ser uma peça de alta qualidade, indica que as elites locais tinham gosto pela arte grega e poder aquisitivo.

taniager

20 Setembro 2010 | 13h49

Anel de bronze com o retrato de Apolo. Crédito: cortesia da equipe de escavação do sítio de Tel Dor.

Anel de bronze com o retrato de Apolo. Crédito: cortesia da equipe de escavação do sítio de Tel Dor.

Um raro anel de bronze gravado com a face do deus grego Apolo foi encontrado em um sítio arqueológico na cidade de Tel Dor, ao norte de Israel. A equipe de escavadores responsável pela descoberta pertence às universidades de Haifa e Hebraica, Israel. O anel, por ser uma peça de alta qualidade, indica que as elites locais tinham gosto pela arte grega e poder aquisitivo. O achado foi divulgado em matéria da referida universidade ontem.

O sítio arqueológico tem sido escavado há 30 anos e o poço onde o anel foi encontrado esconde muitos resíduos de estruturas helenísticas. Ele foi analisado pela professora de arqueologia clássica Dr. Jessica Nitschke, da Universidade de Georgetown, EUA, e pela Dr. Rebecca Martin da Universidade do Estado de Missouri Sudeste, EUA.

O perfil de um homem jovem imberbe com cabelos longos, limpo, barbeado e adornado com uma coroa de louros está gravado no anel. Com a análise pôde ser confirmado que a imagem é de Apolo, deus do Sol, da luz e da música na mitologia grega.

O contexto arqueológico e o estilo de gravação no anel remetem ao quarto ou terceiro século A.C. Ele pode ter sido usado como um selo ou dedicado ao templo do deus. Como ele foi encontrado em um contexto urbano e em uma escavação arqueológica ordenada, a descoberta tem grande significado: a maioria das pequenas peças de arte encontrada no Oriente Médio até agora é de origem desconhecida, por ser deslocada pelo comércio ilegal de antiguidade ou adquirida por museus e colecionadores, antes de se fazer qualquer investigação arqueológica. 

O anel confirma o carácter cosmopolita da região já em 2300 anos atrás. Apesar dos danos causados ao longo dos séculos, sua alta qualidade é facilmente reconhecível. O objeto precioso foi encontrado em Tel Dor, situada entre Tel Aviv e Haifa, mesma área onde foi encontrada uma pequena gema com a imagem gravada de Alexandre, o grande, e um chão de mosaico helenístico raro e requintado em escavações anteriores. Todas as descobertas e as características arquitetônicas indicam que esta região era uma grande estrutura de elite. 

Estes achados também indicam que a circulação de objetos de arte não era limitada às capitais dos reinos helenísticos, a Leste, como Alexandria, Egito ou Antióquia e Selêucia na Síria, onde as principais populações eram gregas. Estes objetos também se espalhavam para centros menores, tais como Dor, que foi ocupada primeiramente por habitantes locais fenícios.

A cidade de Dor foi um importante porto nas costas do Mediterrâneo de 2000 até 250 a.C.. As peças de arte em estilo grego, como anéis e pedras preciosas em miniatura, começaram a aparecer no Leste no tempo do Império Persa (6-4 séculos A.C.) e tornaram-se mais comuns depois que Alexandre, o grande, conquistou a região. Posteriormente, a cidade de Dor tornou-se um dos centros da cultura grega na terra de Israel. Esta cultura deixou sua marca, mesmo depois de Dor ter sido conquistada por Alexander Jannaeus, rei da Judéia, cerca de 100 a. C. e o seu impacto é bem evidente na era romana.

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