Equipe descobre a ferramenta de afiar pedras mais antiga

Ferramentas eram usadas por hominídeos há 3,4 milhões de anos, mas a moagem para afiá-las sempre fora associada aos humanos modernos.

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08 Novembro 2010 | 20h19

Crédito: Monash University.

Crédito: Monash University.

Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu a ferramenta para afiar pedras mais antiga do mundo. As evidências do uso de ferramentas de pedra entre os nossos primeiros ancestrais hominídeos são de 3,4 milhões de anos, no entanto, o início do uso de moagem para afiar ferramentas de pedra, está claramente associado com os seres humanos modernos, também conhecidos como Homo sapiens.

Bruno David, arqueólogo da Universidade Monash e membro da equipe que fez a descoberta, disse que, embora tenha havido relatos de machados muito mais velhos, encontrado em Nova Guiné, os implementos não foram moídos. “Isto sugere que a tecnologia evoluiu o machado, para mais tarde usar a moagem para gerar bordas mais simétricas e firmes”, explica o pesquisador. “O fragmento de machado é de 35 mil anos atrás, que pré-data exemplos mais antigos de ferramentas de pedra, de 22 a 30 mil anos, do Japão e da Austrália do Norte”.

A descoberta foi feita durante escavações arqueológicas realizadas em maio de 2010 em Nawarla Gabarnmang, no norte da Austrália, uma grande “rocha-abrigo” na aldeia aborígene Jawoyn, no sudoeste de Arnhem Land. O local, por sua vez, foi observado pela primeira vez durante um voo de helicóptero, em 15 de junho de 2006, por Ray Whear e Chris Morgan, da Jawoyn Association.

“Os machados ocupam uma posição única dentro do kit de ferramentas dos aborígenes, como a mais antiga ferramenta de corte”, ressaltou David. “Durante o fim do século 19 e início do século 20, os machados foram compreendidos pelas comunidades aborígines locais como força ancestral que caracteriza a pedreira particular de onde vieram”.

“O machado Nawarla Gabarnmang, encontrado a cerca de 40 quilômetros da sua nascente, é uma prova de 35 mil anos de movimento de ferramentas, tecnologias e ideias em toda a paisagem do norte da Austrália “, enfatiza o pesquisador. “Esta nova evidência indica que a Austrália é um pólo importante de inovação tecnológica há pelo menos 35 mil anos”. De acordo com a equipe, a descoberta pode ajudar pesquisadores de todo do mundo na análise da evolução do comportamento humano e os primeiros avanços tecnológicos.