Pesquisadores determinam como drogas antiaids induzem diabetes

Vírus da aids camufla uma invasão ao corpo, fazendo com que o organismo atrase a reação de defesa.

root

23 Novembro 2010 | 17h54

O corpo geralmente reage imediatamente a uma infecção. O vírus da aids, no entanto, camufla a invasão, fazendo com que o organismo comece a reagir muito tarde.

O corpo geralmente reage imediatamente a uma infecção. O vírus da aids, no entanto, camufla a invasão, fazendo com que o organismo comece a reagir muito tarde.

As mesmas drogas poderosas que prolongaram a vida de inúmeras pessoas com HIV nos últimos anos têm um preço: a resistência à insulina, que pode levar ao diabetes e doenças cardiovasculares. Agora, pesquisadores da Washington University School of Medicine, em St. Louis , determinaram de que modo isso acontece.

A pesquisa mostra que os inibidores da protease do vírus HIV interferem diretamente na forma como os níveis de açúcar no sangue são controlados no organismo. Isto leva à resistência à insulina (uma condição que ocorre quando o organismo produz insulina suficiente, mas não a usa corretamente). Esta confirmação pode levar o desenvolvimento de medicamentos antivirais mais seguros.

Paulo Hruz, MD, PhD, professor adjunto da pediatria e da biologia celular e fisiologia da Escola de Medicina, e sua equipe, descobriram essa primeira geração de inibidores de protease, incluindo a droga ritonavir, GLUT4 bloco, uma proteína que transporta a glicose do sangue nas células onde é necessária. Isso aumenta os níveis de açúcar no sangue – uma característica do diabetes.

O pesquisador afirma também que as pesquisas têm demonstrado que um dos efeitos destas drogas é bloquear o transporte de glicose – um dos passos mais importantes sobre a forma como a insulina funciona. Ao identificar o principal mecanismo, é possível desenvolver novos medicamentos que tratam o HIV, mas que não causam o diabetes.

O laboratório de Hruz fez a descoberta em camundongos que não tinham a proteína GLUT4. Quando os pesquisadores deram a estes ratos ritonavir, a droga não teve efeito sobre a tolerância à glicose. No entanto, quando deram a droga aos ratos normais, a glicose no sangue deles subiu rapidamente, mostrando que as drogas diminuem a tolerância à glicose e promovem a resistência à insulina.

Hruz diz que o que viram foram efeitos muito graves sobre a sensibilidade à insulina, que poderia reverter em camundongos, mas quando a resistência à insulina prolonga-se por muito tempo, aparecem as alterações secundárias, tais como triglicérides elevados, o que é mais difícil de reverter.

A descoberta vai ajudar os pesquisadores a compreender melhor o papel dos transportadores de glicose na saúde e na doença, incluindo a epidemia de diabetes tipo 2 em pacientes HIV negativos. A equipe agora estuda como as drogas inibem o GLUT 4 em nível molecular. “Nós gostaríamos de descobrir exatamente como estas drogas interagem com o transportador para auxiliar no desenvolvimento de melhores drogas do HIV”, diz Hruz. “Queremos encontrar problemas no transporte de glicose que levam ao diabetes no estágio pré-clínico do desenvolvimento da droga”.

O estudo foi publicado em 19 de novembro na Journal of Biological Chemistry.