Pesquisadores revertem degeneração relacionada ao envelhecimento

Controle da telomerase induziu o crescimento de células nervosas, melhorou a fertilidade e recuperou funções cognitivas perdidas em ratos.

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29 Novembro 2010 | 15h56

Telômeros ficam nas "pontas" do cromossomo. Cada vez que uma célula se duplica, duplica os cromossomos, e as extremidades do original são perdidas. Crédito: Creative Commons.

Uma equipe do Dana-Farber Cancer Institute afirma ter conseguido pela primeira vez reverter parcialmente a degeneração relacionada à idade em ratos, induzindo o crescimento de células cerebrais, a melhora da fertilidade e a recuperação de funções cognitivas perdidas. Um artigo sobre o trabalho foi publicado no site da Nature.

De acordo com os pesquisadores, isso só foi possível graças ao controle da telomerase. A enzima mantém as capas protetoras conhecidas como telômeros, existente nas extremidades dos cromossos, evitando assim o processo de envelhecimento. Ao longo dos anos, as pontas do cromossomo vão se desgastando, o que pode contribuir para a degeneração dos tecidos e o declínio funcional em idosos, pois a perda dos mesmos aciona uma cascata de sinais que faz com que células do corpo parem de se dividir e morram.

Ao criar roedores com um interruptor telomerase, os pesquisadores foram capazes de gerar animais prematuramente envelhecidos. O interruptor, por sua vez, permitiu aos cientistas descobrir se a reativação do gene poderia restabelecer ou atenuar os sintomas e sinais do envelhecimento. Os resultados mostram uma reversão dramática de muitos aspectos associados ao desgaste, incluindo a reversão de doenças cerebrais e infertilidade.

Em longo prazo, a descoberta poderia ajudar a bolar novas estratégias para tratar pessoas com raras doenças genéticas em telômeros encurtados induziriam o envelhecimento prematuro. “Se isso teria um impacto sobre o envelhecimento normal, é uma questão mais difícil”, ressalta DePinho, autor sênior do trabalho. “Mas, é notável que a perda dos telômeros esteja associada a distúrbios relacionados com a idade e, portanto, a restauração dos telômeros poderia aliviar o processo”.

O trabalho também pode fornecer pistas para a medicina regenerativa, pois é possível que células-tronco adultas quiescentes em tecidos velhos permaneçam viáveis, podendo ser reativadas para reparar danos em tecidos do corpo. Ou seja: seria possível remover o dano anterior ativando a resposta regenerativa para rejuvenescer partes do corpo, mantendo a saúde em idosos.

O mais importante, segundo os pesquisadores, é que a intervenção nos ratos não induziu o desenvolvimento de tumores ou câncer. Esta era uma preocupação importante, já que células cancerosas ativam a telomerase para se tornarem praticamente imortais. O risco poderia ser minimizado “ligando” a enzima durante apenas alguns dias ou semanas – um período breve o suficiente para evitar que cancros escondidos sejam alimentados e se desenvolvam.

Interruptor de TERT

Ao invés de submeter os ratinhos deficientes com telomerase suplementar, os cientistas conseguiram ligar o gene dormente, conhecido como TERT. A equipe projetou o gene endógeno TERT para codificar uma proteína de fusão de TERT ao receptor de estrógeno. Esta proteína de fusão se tornaria ativa apenas com uma forma especial de estrogênio, permitindo à equipe simular o processo e tornar a proteção do telômeros ativas.

Alguns dos animais receberam estrogênio em uma pastilha implantada na pele. Outros, do grupo de controle, receberam uma pastilha sem a droga ativa. Após quatro semanas, a equipe observou sinais notáveis de rejuvenescimento nos ratos tratados. Em geral, os telômeros alongaram e as células retornaram ao estado de crescimento. A terapia induziu o surgimento de mais células nervosas e o fortalecimento das bainhas de mielina (danificadas em doenças degenerativas). Além disso, a intervenção aumentou o tempo de vida dos animais, que morreram no mesmo período que os ratos do grupo de controle.