Esqueça o espinafre: casca de maçã aumenta massa e força muscular

Casca da maçã contém ácido ursólico que reduz atrofia muscular e níveis de colesteral e triglicérides no sangue.

taniager

07 Junho 2011 | 17h32

Ratos alimentados com ácido ursólico - uma substância cerosa encontrada na casca de maçã – apresentaram células de gordura menores (à direita) do que os ratos que não obtiveram o ácido (à esquerda). Além de reduzir a massa de gordura em ratos, o ácido ursólico também aumentou a massa muscular e a força. Crédito: University of Iowa.

Ratos alimentados com ácido ursólico - uma substância cerosa encontrada na casca de maçã – apresentaram células de gordura menores (à direita) do que os ratos que não obtiveram o ácido (à esquerda). Além de reduzir a massa de gordura em ratos, o ácido ursólico também aumentou a massa muscular e a força. Crédito: University of Iowa.

Chega de choro: crianças já podem trocar espinafre por maçã e agradecerem aos pesquisadores de um estudo realizado na Universidade de Iowa. A casca da maçã contém uma substância cerosa chamada ácido ursólico que reduz a atrofia muscular e promove o crescimento de músculos em ratos saudáveis. Esta é a conclusão encontrada em artigo a ser publicado amanhã na revista Cell Metabolism.

O estudo demonstrou que o ácido ursólico – também encontrado na uva ursi, de onde deriva seu nome – reduziu a atrofia muscular (conhecida por perda muscular) e promoveu o crescimento muscular em ratos saudáveis. Também reduziu os níveis de açúcar e gordura no sangue, triglicérides e colesterol em animais. Os resultados sugerem que o composto poderia ser utilizado para tratar a perda muscular e, possivelmente, distúrbios metabólicos como diabetes.

Christopher Adams, endocrinologista e pesquisador do estudo na referida universidade, explica que a atrofia muscular provoca grandes problemas. Também é muito comum, afetando a maioria das pessoas em algum momento de suas vidas, principalmente durante a doença ou envelhecimento. E não há nenhum medicamento para esta doença. Mas, agora os resultados do estudo dão novas esperanças de tratamento.

Quando os pesquisadores testaram o ácido ursólico em ratos, perceberam que estes animaizinhos tinham aumentado seus músculos em tamanho e força.  O que aconteceu? O ácido ajudou dois hormônios que constroem músculos: fator de crescimento 1 (IGF1) e insulina. Surpreendentemente, o ácido ursólico também reduziu a gordura corporal, abaixou o colesterol e a glucose no sangue.

No estudo, a equipe utilizou uma nova técnica, mapeamento de conectividade, para comparar padrões de expressão gênica em células sob condições diferentes. Depois de determinar quais genes eram ligados e desligados em músculo humano durante a atrofia, a mesma equipe comparou os padrões com padrões de expressão gênica em linhas de célula de cultura tratadas com uma coleção de diferentes compostos. Descobriram que um destes compostos – ácido ursólico – causava um padrão de expressão gênica, oposto ao do padrão causado pela atrofia. Isto sugeriu que este ácido poderia reverter a doença.   

Em realização de experiências adicionais, os pesquisadores provaram que ratos alimentados com ácido ursólico foram, de fato, protegidos da atrofia muscular causada por jejum e lesões em nervos. Além disso, ratos saudáveis alimentados com ácido ursólico desenvolveram músculos maiores e mais fortes do que os ratos que não receberam o composto.