Estudo mostra que cães aprendem com comportamento humano

Resposta de cães ao nível de atenção das pessoas pode nos contar como pensam e aprendem sobre o comportamento humano.

taniager

09 Junho 2011 | 10h57

Crédito: Ciência Diária.

Crédito: Ciência Diária.

A maioria das pessoas acostumadas com a companhia canina não vacila em afirmar a inteligência do “melhor amigo do homem”. Muitos chegam até mesmo a acreditar que seus cães leem suas mentes.  Será verdade? Como o mau comportamento por falta de atenção do dono pode ser explicado?  Mais importante: como eles descobrem “um jeitinho” próprio de pedir comida? De acordo com Monique Udell e sua equipe da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, a resposta de cães ao nível de atenção das pessoas pode nos contar como pensam e aprendem sobre o comportamento humano. Um artigo sobre o trabalho foi publicado na revista Learning & Behavior.

O estudo identificou uma notável variedade de comportamentos sociais humanos no cão doméstico, incluindo a capacidade de responder à linguagem corporal humana, comandos verbais e aos estados de atenção. A pergunta que se coloca é: como eles fazem isso? Cães deduzem os estados mentais dos seres humanos, observando sua aparência e comportamento sob várias circunstâncias e, em seguida, respondem  em conformidade? Ou aprendem com a experiência, respondendo às pistas do ambiente, presença ou ausência de certos estímulos, ou, ainda, aprendem com as dicas do comportamento humano?

Udell e sua equipe realizaram dois experimentos comparando o desempenho de cães domésticos, cães em abrigos e lobos quando uma oportunidade para que pedissem comida era oferecida ou por uma pessoa “atenta” ou por uma pessoa incapaz de ver o animal. A intenção dos pesquisadores era saber qual situação tinha maior impacto sobre seu desempenho: se a criação e o ambiente onde vivem (abrigos ou casa humana) ou se a própria espécie (cão ou lobo).

Os pesquisadores mostraram pela primeira vez que os lobos, assim como os cães domésticos, são capazes de implorar por comida com êxito ao se aproximarem do homem atencioso. Isso demonstra que ambas as espécies – domesticadas e não domesticadas – têm capacidade de comportar-se de acordo com um determinado estado de atenção humana. Além disso, lobos e cães de estimação foram capazes de melhorar rapidamente o seu desempenho com a prática.

Outra descoberta interessante é a de que a sensibilidade de cães às dicas provenientes da atenção humana é diferente para cada animal. Cães em ambientes familiares mostraram ter maior sensibilidade para perceber quais humanos são atenciosos em comparação com cães de abrigo. Já os cães com pouco contato com o ser humano executavam muito mal a tarefa de mendigar por comida.

De acordo com os pesquisadores, “estes resultados sugerem que a capacidade dos cães para acompanhar ações humanas resulta de uma vontade em aceitar os seres humanos como companheiros sociais, combinada com o condicionamento de seguir as pernas e ações de pessoas para adquirir reforço.  O tipo de dica de atenção, o contexto no qual o comando é apresentado e a experiência anterior são importantes”.