Estudo traz nova luz para tratamento de Síndrome de Intestino Irritável

Canais presentes em grande número nos neurônios ao longo do cólon estão envolvidos nos fenômenos de hipersensibilidade cólica.

taniager

22 Junho 2011 | 12h32

O diagrama mostra que uma injeção de marcador fluorescente na parede do cólon é capaz de marcar as extremidades dos neurônios sensoriais que inervam a região. Pela sua fluorescência laranja, é então possível identificar os neurônios detectando a dor no cólon no interior dos gânglios sensoriais.  Crédito : E.Bourinet / D.Ardid.

O diagrama mostra que uma injeção de marcador fluorescente na parede do cólon é capaz de marcar as extremidades dos neurônios sensoriais que inervam a região. Pela sua fluorescência laranja, é então possível identificar os neurônios detectando a dor no cólon no interior dos gânglios sensoriais. Crédito : E.Bourinet / D.Ardid.

A síndrome do intestino irritável (SII), um distúrbio funcional intestinal, caracteriza-se pela dor e/ou desconforto abdominal.
Pesquisadores do laboratório CNRS/Inserm “Instituto de genômica funcional” e da unidade Inserm de “Farmacologia fundamental e clínica da dor”, em colaboração com as universidades de Montpellier e Clermont-Ferrand, França, descobriram um alvo potencial para o tratamento da dor abdominal gerada por esta síndrome. Pela primeira vez, eles demonstraram em animais que os canais presentes em grande número nos neurônios situados ao longo do cólon estão envolvidos nos fenômenos de hipersensibilidade cólica. Os resultados deste trabalho foram publicados no site da revista PNAS.

Estima-se que a síndrome do intestino irritável afeta cerca de 10% da população, principalmente mulheres, e representa a principal causa de consultas em gastrenterologia. Esta síndrome está associada com outras síndromes ou sintomas relacionados ou não aos distúrbios de sensibilidade, como fibromialgia, enxaqueca, fadiga crônica, depressão, ansiedade, fobia. A complexidade e a ausência de causa óbvia da doença limitam, frequentemente, a eficácia do tratamento com constipantes (“prendem”) ou laxantes (“soltam”) para os distúrbios de motricidade e por antiespasmódicos ou antidepressivos para as dores
abdominais.

O alvo potencial de tratamento da dor abdominal é uma família de canais de cálcio (dependentes de voltagem). Estes canais desempenham um papel importante na excitabilidade de neurônios por estímulos elétricos. Os pesquisadores mostraram pela primeira vez a implicação de certos canais de cálcio, “os Cav 3.2”, nos fenômenos de sensibilidade do cólon. Estes canais que estão localizados nos neurônios, cujas terminações nervosas estão no cólon (figura ao lado), já foram relacionados com as dores provenientes de regiões da pele, articulações e músculos.

Agora, a equipe de estudo revelou que, no caso de hipersensibilidade de cólon que dá origem às dores abdominais, os canais “Cav3.2” estão funcionalmente mais ativos nos neurônios do cólon em relação a outros neurônios. Embora os mecanismos envolvidos na superatividade dos canais sejam mal conhecidos, os pesquisadores sugerem que a explicação não está no aumento da síntese destes canais, mas em sua localização estratégica, em grande número na membrana das células.

A equipe está dando seguimento ao estudo para compreender melhor o papel desempenhado pelos canais iônicos Cav3.2 implicados nos processos de sensibilização, utilizando bloqueadores específicos de canais que poderão, em um futuro próximo, representar alternativas eficazes para controlar as dores abdominais ligadas à síndrome do intestino irritável e às dores viscerais.

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