Exposição ao manganês é associada a menor desempenho intelectual

Presente no solo, o metal é encontrado naturalmente em águas subterrâneas de diversas regiões do mundo, sendo consumido diariamente.

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20 Setembro 2010 | 12h43

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Montreal e Escola Politécnica de Montreal, no Canadá, mostra que crianças expostas a altas concentrações de manganês na água potável têm piores resultados em testes de habilidades intelectuais. Os efeitos neurotóxicos da exposição ao manganês já foram apontados em outros trabalhos. Presente no solo, o metal é encontrado naturalmente em águas subterrâneas de diversas regiões do mundo. Entretanto, nenhum estudo havia sido focado nos potenciais riscos desta exposição de forma tão detalhada.

A pesquisa envolveu 362 crianças em idade escolar (entre seis e 13 anos) do Quebec que vivem em casas abastecidas com água de poços. A equipe mediu a concentração de manganês na água da torneira das casas dos participantes, bem como o ferro, cobre, chumbo, zinco, arsênico, magnésio e cálcio. A quantidade de manganês da água e dos alimentos consumidos foi estimada por um questionário. Então, cada criança foi avaliada por uma bateria de testes cognitivos, de capacidade motora e comportamento.

De acordo com Maryse Bouchard, responsável pelo estudo, houve redução muito significativa do quociente de inteligência (Qi) das crianças que consumiam água com manganês em concentrações consideradas baixas e sem riscos para a saúde. “Crianças que consumiam a concentração de manganês na água de 20% ou mais tinham um Qi médio seis pontos abaixo das crianças cuja água não contém manganês”, ressalta a co-autora Donna Merhler. Os resultados mostram que a quantidade de manganês estimada nos alimentos não está associada ao baixo rendimento intelectual das crianças.

Algumas das cidades onde o estudo foi realizado já estão sendo equipadas com um sistema de filtragem que retira o manganês da água. Os pesquisadores afirmam que uma alternativa viável em casa é o uso de filtros que contenham uma mistura de resina e carbono ativo. Estes dispositivos reduzem a concentração do manganês entre 6 e 10%, dependendo das características da água a ser tratada.

Os resultados do trabalho foram publicados na Environmental Health Perspectives no artigo “Intellectural Impairment in School-Age Children Exposed to Manganese from Drinking Water”.