Florestas tropicais virgens também produzem aerossóis

Cientistas descobrem como as florestas virgens atuam na produção de partículas suspensas na atmosfera para a formação de nuvens de chuva

taniager

16 Setembro 2010 | 18h41

Crédito: cortesia de Ricardo Gerasimenko de Araújo.

Crédito: cortesia de Ricardo Gerasimenko de Araújo.

Uma equipe composta por pesquisadores de várias universidades norte-americanas encontrou mais uma peça do quebra-cabeça atmosférico em relação à influência das partículas de aerossóis na mudança climática. 

Em artigo a ser publicado amanhã na revista Science, os cientistas descrevem como as florestas virgens atuam na produção de partículas suspensas na atmosfera para a formação de nuvens de chuva. A descoberta pode contribuir para avaliar com mais precisão o impacto humano nas mudanças climáticas. 

A pesquisa foi realizada na floresta Amazônica, Brasil, e tinha como objetivo determinar como é o comportamento das partículas suspensas na atmosfera – aerossóis – em florestas virgens, onde não existe qualquer influência antropogênica, ou humana. 

Os aerossóis têm um papel importante no sistema climático ao modificar a formação de nuvens e encorajar ou suprimir a precipitação. Eles agem como sementes para a formação de nuvens e condensação de água em seus interiores. Algumas destas partículas – cerca de um milhão – formam cristais de gelo dentro das nuvens, os quais iniciam a precipitação.

 Em áreas povoadas por seres humanos, a poluição serve como uma fonte adicional para os aerossóis. Em uma área intocada, como a Amazônia, onde a poluição não é um fator, os pesquisadores descobriram que a floresta age como um reator biogeoquímico, produzindo “combustível” para as nuvens de chuva a partir de moléculas orgânicas propagadas por árvores, bem como outras matérias biológicas, como restos vegetais, bactérias e pólens. 

“As árvores basicamente expelem moléculas orgânicas que reagem com compostos na atmosfera, produzindo minúsculas partículas que são cerca de 20 a 200 nanômetros em tamanho,” diz Markus Petters, pesquisador envolvido da Universidade do Estado Da Carolina do Norte, EUA. “Estas partículas propagam as nuvens. Além disso, outras partículas biológicas formam os núcleos de gelo para as nuvens.”

 Os pesquisadores acreditam que a descoberta poderá contribuir para avaliar com mais precisão o impacto humano nas mudanças climáticas e quantificar a poluição que pode mascarar a taxa real destas mudanças.