Fluorescência ao infravermelho em paratireoides diminui risco de cirurgia

Glândulas paratireoides são de duas a 10 vezes mais fluorescentes em infravermelho que qualquer outro tecido encontrado no pescoço.

taniager

20 Junho 2011 | 17h16

Fluorescência infravermelha de paratireoide humana e de tecido da tireoide. A fluorescência do tecido da paratireoide no canto superior direito é duas vezes mais forte que a do tecido da tireoide, fornecendo uma forma imediata de diferenciar os dois. Crédito: Mehadevan-Jansen Lab.
Fluorescência infravermelha de paratireoide humana e de tecido da tireoide. A fluorescência do tecido da paratireoide no canto superior direito é duas vezes mais forte que a do tecido da tireoide, fornecendo uma forma imediata de diferenciar os dois. Crédito: Mehadevan-Jansen Lab.

Uma assinatura única de fluorescência em glândula paratireoide foi descoberta recentemente por bioengenheiros e cirurgiões endócrinos da Universidade de Vanderbilt nos Estados Unidos. O relatório da descoberta foi publicado na edição de junho do periódico Journal of Biomedical Optics. Usar o recurso de fluorescência poderia melhorar a eficácia das cirurgias das minúsculas glândulas da garganta.

A descoberta aconteceu durante uma cirurgia endócrina realizada pela equipe, usando um detector óptico comum de infravermelho. As glândulas paratireoides – quatro pequenos órgãos do tamanho de grãos de arroz localizados na parte traseira da garganta – brilham com uma fluorescência natural na região próxima do espectro infravermelho.

Danos a esses órgãos minúsculos podem ter efeitos prejudiciais à saúde dos doentes ao longo da vida, porque produzem um hormônio que controla concentrações críticas de cálcio nos ossos, intestinos e rins. No entanto, as glândulas paratireoides são muito difíceis de serem identificadas a olho nu. Elas não somente são pequenas, mas também suas localizações variam muito de pessoa para pessoa. Por esta razão, um microscópio de confiança é usado para visualizar diferenças entre o tecido paratireoide e a tireoide e entre a tireoide e o tecido linfático que a cerca.

Segundo a bioengenheira Anita Mahadevan-Jansen que guiou o estudo, a equipe descobriu que as glândulas paratireoides são de duas a 10 vezes mais fluorescentes em infravermelho que qualquer outro tecido encontrado no pescoço. “Nós ainda não sabemos qual a fonte da fluorescência, mas isso não impede que utilizemos este efeito para melhorar a eficácia de cirurgias de paratireoides e reduzir danos a elas em cirurgias endócrinas.”

Veja também:
Câncer oral pode ser limitado por medicamento para osteoporose
Ablação por laser guiado por ressonância “mata” tumores
Microagulhas entregam pontos quânticos para diagnóstico do câncer
Luz infravermelha contrai células e faz com que enviem sinais ao cérebro