Galáxia “pouco evoluída” mostra realidade das galáxias primordiais

Galáxia ESO 546-G34 foi observada há quase 20 anos, mas somente agora astrônomos percebem como é especial.

taniager

14 Junho 2011 | 14h26

A ESO 546G-34 é uma galáxia anã pequena, fraca e pouco evoluída de baixo brilho de superfície, o que a torna um pouco semelhante à Pequena Nuvem de Magalhães (galáxia companheira da Via Láctea) em aparência. Por sua baixa quantidade de elementos mais pesados e conter 50 % de gás, esta galáxia é semelhante às pequenas galáxias que eram abundantes no universo primordial. Crédito: ESO.

A ESO 546G-34 é uma galáxia anã pequena, fraca e pouco evoluída de baixo brilho de superfície, o que a torna um pouco semelhante à Pequena Nuvem de Magalhães (galáxia companheira da Via Láctea) em aparência. Por sua baixa quantidade de elementos mais pesados e conter 50 % de gás, esta galáxia é semelhante às pequenas galáxias que eram abundantes no universo primordial. Crédito: ESO.

Um exemplo único de uma das galáxias de brilho superficial mais baixo no universo foi  encontrado por uma equipe internacional de astrônomos liderada pelo Instituto Niels Bohr, Dinamarca. A galáxia tem menor quantidade de elementos mais pesados do que outras galáxias conhecidas deste tipo. A descoberta significa que pequenas galáxias com brilho superficial baixo podem ter mais em comum com as primeiras galáxias formadas logo após o Big Bang do que se pensava. Os resultados foram publicados no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Galáxias anãs são fracas e, portanto, difíceis de serem encontradas e observadas. A galáxia denominada ESO 546-G34 foi observada há quase 20 anos atrás e chamou pouca atenção. A observação de então foi analisada  recentemente e os astrônomos puderam perceber, somente agora quando puderam utilizar novos métodos, como ela é especial.

“A galáxia nos dá uma ideia de como as galáxias deveriam parecer antes da formação estelar realmente tomar seu curso”, explica Lars Mattsson, um astrofísico no Dark Cosmology Centre do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhague. A descoberta foi feita em colaboração com astrônomos da Universidade de Uppsala, Suécia, e do Observatório Astronômico em Kiev, Ucrânia.

A evolução de galáxias

Uma galáxia é composta de muitos milhões ou bilhões de estrelas. Estrelas são formadas quando nuvens gigantes de gás condensam e formam uma bola de gás incandescente – uma estrela. Uma estrela produz energia através da fusão de hidrogênio em hélio, que se funde por sua vez em carbono e oxigênio e, assim prosseguindo, vai se transformando em elementos cada vez mais pesados. O processo de conversão de gases em elementos mais pesados leva de centenas de milhares de anos a bilhões de anos.

Em comparação com outras galáxias desse tipo, a ESO 546 G-24 tem um teor muito baixo de oxigênio, nitrogênio e quantidades extremamente pequenas de elementos mais pesados. Ela contém pelo menos 50% de gás, uma porcentagem várias vezes mais elevada que a de uma grande galáxia evoluída como a Via Láctea. Também a quantidade de estrelas é baixa. Crédito: Lars Mattsson.

Em comparação com outras galáxias desse tipo, a ESO 546 G-24 tem um teor muito baixo de oxigênio, nitrogênio e quantidades extremamente pequenas de elementos mais pesados. Ela contém pelo menos 50% de gás, uma porcentagem várias vezes mais elevada que a de uma grande galáxia evoluída como a Via Láctea. Também a quantidade de estrelas é baixa. Crédito: Lars Mattsson.

A maioria das galáxias conhecidas que formaram apenas pequenas quantidades de elementos pesados são galáxias jovens que estão passando por gigantescas explosões de formação estelar. Isso as torna extremamente brilhantes e mais fáceis de derem observadas. Um tipo de galáxia com explosões de formação estelar é chamado de galáxias azuis compactas – as estrelas recém-formadas emitem uma luz azulada.

Galáxia anã “pouco evoluída”

A galáxia que foi observada é pequena e contém apenas pouquíssima quantidade de elementos mais pesados. O fato de ser constituída principalmente por gases de hidrogênio e hélio, e ser tão fraca, significa que só agora começou a formar estrelas.

“Nossa análise mostra que uma galáxia grande e madura como a nossa Via Láctea é composta de aproximadamente 15 a 20 por cento de gás. Já esta pequena galáxia fraca é composta de até 50% de gás e é muito pobre em elementos mais pesados. Isso significa que é muito pouco evoluída”, explica Lars Mattsson.

A teoria é a de que galáxias fracas muito pequenas colidem entre si e a maior concentração do material gasoso, associado aos distúrbios dinâmicos, impulsiona a formação de estrelas. Assim se formam as maiores galáxias compactas e azuis.

“ESO 546-G34 é uma galáxia anã à parte que não parece ter colidido com outras galáxias. Isso nos dá uma perspectiva única sobre como as primeiras galáxias no universo poderiam ter se parecido”, explica Lars Mattsson.

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