"Gene da enxaqueca comum" é identificado por equipe internacional

Dor de cabeça recorrente pode ser uma questão de excitabilidade nervosa: proteína alterada provoca mudança na atividade dos neurônios.

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27 Setembro 2010 | 11h30

A enxaqueca pode se manifestar de forma diferente em cada indivíduo, entretanto é caracterizada, de forma geral, pela dor pulsátil em um dos lados da cabeça. Os pacientes podem apresentar também náusea ou vômitos e sensibilidade à luz e ao som. Crédito: Sasha Wolff - Creative Commons.

A enxaqueca pode se manifestar de forma diferente em cada indivíduo, entretanto é caracterizada, de forma geral, pela dor pulsátil em um dos lados da cabeça. Os pacientes podem apresentar também náusea ou vômitos e sensibilidade à luz e ao som. Crédito: Sasha Wolff - Creative Commons.

Uma equipe internacional liderada por pesquisadores da Universidade de Montreal e da Universidade de Oxford conseguiu identificar um gene associado a uma forma comum de enxaqueca. Uma mutação no gene KCNK18 inibe a função de proteína chamada TRESK, que normalmente desempenha um papel fundamental na comunicação entre células nervosas. Os resultados do estudo, publicados na Nature Medicine, podem levar a novos tratamentos para pessoas que sofrem de dores de cabeça recorrentes.

Até agora, apenas genes da enxaqueca com fraqueza motora unilateral tinham sido identificados. “Estamos interessados nas formas mais comuns da enxaqueca, ou seja, enxaquecas que não são acompanhadas de fraqueza muscular, e estudar os genes responsáveis pelo controle da excitabilidade do cérebro”, diz Ron Lafrenière, autor do estudo e membro da Universidade de Montreal.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores compararam o DNA de indivíduos sem enxaqueca e pessoas que sofriam de dores de cabeça recorrentes. Eles encontraram uma mutação no gene KCNK18 que bloqueia a função da TRESK. Esta alteração resulta na produção de uma forma “truncada” de proteína, impedindo o seu funcionamento normal e provocando uma mudança na atividade elétrica das células.

“Nós agora temos evidências de que a enxaqueca é uma questão de excitabilidade nervosa, e descobrimos uma das principais vias responsáveis por esse transtorno”, ressalta Cader Zameel, co-autor do estudo em Oxford. Experiências com culturas de células revelaram a presença da proteína TRESK em alguns neurônios do cérebro. “Demonstramos a presença deTRESK em certas estruturas neurais específicas (gânglios de Gasser e gânglios da raiz dorsal) associadas a enxaqueca e à dor”, diz Lafrenière.

De acordo com a equipe, o aumento da ativação destas células pode aumentar o risco para o problema. Embora nem todos os pacientes que sofrem de enxaqueca tenham a mutação, a estimulação farmacológica da atividade da proteína TRESK poderia ajudar a reduzir a frequência ou a gravidade dos episódios – independentemente da origem.

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