Gene suicida oferece nova abordagem contra o câncer de pele e pulmão

Técnica se mostrou eficaz não apenas em culturas de células, como também in vivo - ou seja, em modelos animais cujos tumores foram induzidos.

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21 Setembro 2010 | 13h40

Cientistas da Universidade de Granada desenvolveram uma nova terapia para o tratamento do câncer de pele e câncer de pulmão. A abordagem envolve a utilização de um gene suicida que pode induzir a morte das células. A técnica se mostrou eficaz não apenas em culturas de células cancerosas, como também in vivo – ou seja, em modelos animais cujos tumores foram induzidos.

Mais pesquisas são necessárias para avaliar a nova terapia. Entretanto, os resultados obtidos em Granada revelaram que a atividade antitumoral intensa do gene E poderia ser considerada no tratamento destas patologias. Esta é a primeira vez que tipos de genes E e gef são usados em células eucarióticas para o desenvolvimento de novos tratamentos contra tumores. Durante os experimentos in vitro, os pesquisadores estudaram os efeitos dos genes em uma linhagem de melanoma B16-F10, posteriormente usada também para gerar tumores in vivo nos animais, de forma que a equipe pôde avaliar os seus efeitos.

A técnica também foi testada em linhagens de células de adenocarcinoma do pulmão A549A, observando que os genes também afetam a proliferação celular in vitro e in vivo pelos mesmos mecanismos de ação. A equipe avaliou as alterações que os genes induzem no exterior das membranas mitocondriais, fizeram análises da morfologia celular e tecidos através de técnicas de microscopia e testes de morte celular.

A inibição do crescimento do tumor em células cultivadas pela ação dos genes E e gef foi de 72 e 35% respectivamente em 72 horas, em comparação aos experimentos com animais. A ação do gene E em ratos induziu a regressão do tumor em 70 a 80% em oito dias de tratamento.

A técnica, ainda em fase experimental, poderia ser futuramente avaliada em testes clínicos. De acordo com Raúl Ortiz Quesada, que participou do trabalho, a técnica poderia ser  combinada à quimioterapia. “Pode reduzir os efeitos de agentes quimioterápicos, o que permitiria a redução da dose necessária, bem como a redução dos efeitos colaterais da quimioterapia”.

Os resultados do trabalho foram publicados no Journal of Molecular Medicine e Dermatology.