Identificada proteína que modela células-tronco do sangue

Descoberta pode levar ao desenvolvimento de novos tratamentos para pacientes com leucemia e outras doenças de sangue.

root

17 Setembro 2010 | 12h53

Imagem microscópica mostra medula de paciente com leucemia linfocítica crônica.

Imagem microscópica mostra medula de paciente com leucemia linfocítica crônica.

Uma equipe do Instituto de Pesquisas Clínicas de Montreal (Institut de recherches cliniques de Montréal – IRCM), no Canadá, identificou uma proteína que pode modelar certas características de células-tronco do sangue. A descoberta pode levar ao desenvolvimento de novos tratamentos para pacientes com leucemia.

O transplante de células-tronco sanguíneas é uma terapia utilizada mundialmente por pacientes com leucemia e outras doenças do sangue. “As células-tronco do sangue dadas aos doentes podem renovar completamente o sistema de produção de sangue e de todas as células sanguíneas, incluindo os glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas”, explica Möröy Tarik, presidente e diretor científico do laboratório de hematopoese e câncer do IRCM.

A quimioterapia dada como primeiro tratamento a estes pacientes destrói o sistema de formação do sangue, além de agir contra as células cancerosas. Células estaminais poderiam ser extraídas da pessoa antes da quimio, sendo devolvidas posteriormente para que elas possam criar novas células sanguíneas.

“Um problema desta terapia é que as células estaminais ficam entre o osso e as células circundantes e estão em estado inativo”, ressalta Cyrus Khandanpour, primeiro autor do artigo.  “Para obter um número suficiente de células-tronco, elas devem ser mobilizadas a partir de sua localização na medula óssea para que possam, em seguida, entra na corrente sanguínea, onde podem ser coletadas facilmente”.

Uma alternativa seria coletar células-tronco sanguíneas de doadores saudáveis e oferecer ao paciente após a quimioterapia. Entretanto, este tipo de abordagem falha em cerca de 10 a 20% dos casos. Os pacientes morrem porque as células-tronco transplantadas não geram novas células rapidamente, levando à infecção.

“Nós identificamos uma proteína – chamada Gfi1b – que surge para regular o nível de atividade das células-tronco e onde elas residem no osso”, diz Khandanpour. “No nosso modelo de ratos, conseguimos desativar o gene que codifica o Gfi1b. Após a desativação, as células-tronco são ativadas, começando a crescer significativamente, deixando o seu local de origem e entrando no sangue sem perder suas funções”.

De acordo com o pesquisador, a capacidade de manipular as células-tronco do sangue desta forma aumentaria a eficácia da terapia com células-tronco. “Nós agora pesquisaremos os mecanismos moleculares precisos que são afetados pela remoção do Gfi1b e estudar com mais precisão como o Gfi1b regulamenta a localização e ativação de células estaminais. Nosso projeto contribuirá para uma compreensão melhor da biologia da mobilização e da inatividade das células-tronco, o que poderia levar ao desenvolvimento de um tratamento melhor para doadores e receptores do transplante”, completa Möröy.

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