Identificado por que medicamento para Parkinson afeta cognição

Ao combinar uma série de tarefas no laboratório e mapeamento neural, os pesquisadores puderam esclarecer a questão.

taniager

15 Junho 2011 | 18h40

 

Molécula de dopamina. Crédito: Wikipédia.

Molécula de dopamina. Crédito: Wikipédia.

Um estudo realizado na Universidade de Montreal no Canadá apontou as razões pelas quais o tratamento com fármacos à base de dopamina, utilizados na doença de Parkinson, produz efeitos indesejados sobre a cognição.  O estudo foi publicado recentemente na revista de neurologia Brain.

A Doença de Parkinson (DP) ocorre pela degeneração de neurônios produtores da dopamina em certa região do cérebro, conhecida como substância negra. Dentre os principais sintomas estão os que afetam o sistema motor, como o tremor e a rigidez muscular, entre outros.

Para aliviar estes sintomas, tratamentos com fármacos à base de dopamina são comuns. No entanto, efeitos indesejáveis sobre a cognição são observados frequentemente. As razões ainda eram desconhecidas até que Oury Monchi, doutor em modelagem neuronal no Instituto Universitário de Geriatria de Montreal (IUGM) filiado à universidade canadense e Penny A. MacDonald, neurologista e sua assistente, conseguiram identifica-las.

Segundo Monchi, o estriado é a região do cérebro mais afetada pela perda de dopamina nesta doença. Está dividido em várias partes e se, na doença de Parkinson, a porção dorsal é muito danificada, o estriado ventral é relativamente preservado, pelo menos nas fases iniciais da doença. “No entanto, observamos que, se as funções do estriado dorsal são melhoradas com a terapia dopaminérgica – à base de dopamina –, tudo é feito em detrimento do estriado ventral que sofre uma overdose de dopamina, comprometendo o seu bom funcionamento”.

Até agora, o efeito da medicação dopaminérgica em déficits cognitivos observados na doença de Parkinson era controverso. O objetivo do estudo foi baseado nesta questão. Ao combinar uma série de tarefas no laboratório e mapeamento neural, os pesquisadores puderam distinguir claramente entre as funções cognitivas específicas nos estriados dorsais e ventrais e, portanto, esclarecer a questão.

“A terapia de dopamina é o melhor tratamento existente hoje para controlar os sintomas motores da doença”. No entanto, pode ter efeitos negativos sobre aspectos específicos da cognição em alguns pacientes. Nossa descoberta nos permitirá explorar outras vias terapêuticas, medicamentosas ou não, que poderão ajudar as pessoas afetadas em sua totalidade pela doença. “Estes resultados poderão contribuir para o desenvolvimento da medicina personalizada que é agora uma via de estudo cuidadoso,” explica a neurologista MacDonald.

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