Insulina pode reduzir fatores inflamatórios induzidos por bactérias

Estudo preliminar demonstra que o tratamento com insulina pode reduzir as chances de uma pessoa sucumbir a uma infecção grave.

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08 Setembro 2010 | 21h26

Um estudo preliminar conduzido pelo especialista em diabetes Paresh Dandona demonstrou que o tratamento com insulina pode reduzir as chances de uma pessoa sucumbir a uma infecção. Crédito: University at Buffalo - The State University of New York.

Um estudo preliminar conduzido pelo especialista em diabetes Paresh Dandona demonstrou que o tratamento com insulina pode reduzir as chances de uma pessoa sucumbir a uma infecção. Crédito: University at Buffalo - The State University of New York.

A insulina pode reduzir potencialmente as chances de pacientes em terapia intensiva sucumbirem a infecções bacterianas – e sepse, infecção geral grave. De acordo com um estudo  conduzido pela Universidade de Buffalo, nos EUA, o que trata o diabetes pode também ajudar a diminuir níveis de inflamação e estresse oxidativo em pessoas submetidas a injeções de bactérias comuns ou endotoxina, conhecida como lipopolissacarídeo (LPS).

O LPS, encontrada na membrana externa de várias bactérias gram-negativas, é conhecido por aumentar a capacidade das bactérias causarem hemorragia, necrose dos rins e choque principalmente em pacientes com o sistema imunológico comprometido.

O estudo envolveu 19 voluntários saudáveis que receberam uma injeção após uma dose de endotoxina aplicado de acordo com o peso. Após as injeções, dez participantes se submeteram a infusão de seis horas com insulina (com dextrose para manter os níveis normais de glicose no sangue) e nove receberam a solução salina, como placebo. Os participantes então se alimentaram com uma refeição de 900 calorias e não comeram mais nada até a manhã seguinte.

Os pesquisadores monitoraram a temperatura, pulso, pressão arterial, dores de cabeça ou no corpo e calafrios, durante as 24 horas após a injeção de endotoxina. Amostras de sangue foram coletadas uma hora antes da injeção, durante a injeção e uma, duas, quatro, seis e 24 horas após o procedimento.

O acompanhamento mostrou que a endotoxina aumentou a temperatura do corpo em três graus em quatros horas, resultando em dores no corpo e na cabeça entre uma e duas horas. Também houve aumento de fatores destrutivos e inflamatórios associados a radicais livres, produtos de óxido nítrico e metabolismo de gordura. A insulina, por sua vez, reduziu as dores, mas não teve efeito sobre a temperatura, levando a total eliminação de vários fatores pró-inflamatórios.

“Evidentemente, a insulina pode atuar com papéis além daqueles concebidos quando foi descoberta em 1921, como uma hormona metabólica, e desde então tem sido utilizada para o tratamento do diabetes para controlar e reduzir as concentrações de glicose no sangue”, diz Paresh Dandona, autor sênior do trabalho.

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