Linha mental aprendida na infância influencia memória para números

Capacidade de lembrar senhas, por exemplo, está intimamente relacionada com a forma como elas representam os números na mente.

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09 Setembro 2010 | 13h45

Quando as crianças crescem em culturas ocidentais, elas aprendem a colocar os números em uma linha mental, com números menores para a esquerda e mais espaçadas do que os números maiores do lado direito. Então, a disposição é mudada, tornando isso mais linear: números pequenos e grandes na mesma distância. De acordo com um estudo publicado na Psychological Science, crianças que transformam a maneira de “pensar” esta linha mental são melhores para lembrar números.

Memorizar números é uma habilidade importante. A vida requer inúmeros códigos e números, como senhas, telefones, etc. A capacidade de lembrar está intimamente relacionada com a forma como as pessoas representam os números na mente.

“O conhecimento de crianças novas às vezes pode impressionar, porque elas conseguem contar ‘um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez’, mas geralmente elas apenas aprendem pela repetição”, explica Clarissa A. Thompson, da Universidade de Oklahoma, co-autora do trabalho. “Sua contagem não tem muito a ver com a compreensão de como os números são grandes”.

Em um experimento, cada criança recebeu uma pilha de números que deveriam ser dispostos em uma linha em branco, escrita apenas com o número 0 abaixo do lado esquerdo e 20 abaixo do lado direito. Ao ouvir uma série de números de 1 a 19, tiveram que marcar o local onde cada número deveria estar.

Em seguida, o pesquisador contava uma história que incluía alguns números. As crianças tiveram que nomear quatro personagens de desenhos animais, jogando fora parte de sua memória. Os resultados mostram que crianças com uma linha numérica mais linear eram melhores para recordar os números da história.

A equipe descobriu que quanto mais linear a forma como a criança imaginava os números, maior a capacidade de se lembrar dos números. Isso é verdade para pré-escolares em relação a números de 1 a 20 e para crianças do ensino fundamental com números de 1 a mil. “Realmente vivemos em um mundo de números”, ressalta Thompson. “Alguns só precisamos aproximar e outros temos de lembrar exatamente. A capacidade de estimar os tamanhos dos números influencia a capacidade de recordar exatamente os números”.