Mistério que cerca a formação da visão colorida é desvendado

Cientistas mapearam o circuito neural envolvido no processamento da cor na visão de seres humanos pela primeira vez.

taniager

05 Novembro 2010 | 14h08

Matriz de Eletrodo 519 desenvolvido pelo Dr. Mathieson e Dr. Gunning no Centro de Nanofabricação James Watt da Universidade de Glasgow. Crédito: Universidade de Glasgow.

Matriz de Eletrodo 519 desenvolvido pelo Dr. Mathieson e Dr. Gunning no Centro de Nanofabricação James Watt da Universidade de Glasgow. Crédito: Universidade de Glasgow.

Cientistas mapearam o circuito neural envolvido no processamento da cor na visão de seres humanos pela primeira vez, usando aparelhos sofisticados. O artigo intitulado “Functional connectivity in the retina at the resolution of photoreceptors” foi publicado na revista Nature recentemente.

A descoberta da equipe de pesquisadores, do Instituto Salk para Estudos Biológicos da Califórnia e da Universidade da Califórnia, revela como as células diferentes dos cones fotorreceptores na retina se comunicam com as células de saída para construir uma imagem em cor.

A descoberta somente foi possível com a utilização de uma matriz de eletrodo 519, para medir a atividade nas células analisadas, desenvolvida pelo pesquisador Keith Mathieson da Universidade de Glasgow no Reino Unido.  

A visão ocorre graças em parte à retina, a qual é uma estrutura em camadas de tecido neural formada por células de entrada (fotorreceptores), células de processamento e células de saída (ganglionares).

Os fotorreceptores são de dois tipos: bastonetes (visão em branco e preto) e cones (visão em cores). A percepção de cor resulta da comparação de sinais recebidos de células cônicas diferentes – elas se diferenciam pelos comprimentos de onda (cores) da luz. Como estes sinais são combinados pela retina e transmitidos pelas células ganglionares para o cérebro tem sido objeto de debate durante anos.

O sistema de matriz de eletrodos registra os sinais neurais em alta velocidade (acima de 10 milhões de amostras por segundo) e com detalhes espaciais refinados. É capaz de detectar localmente até mesmo uma população completa de células minúsculas de saída e densamente espaçadas, com as células “anãs” ganglionares retinais.  

Mathieson explica que “a matriz de eletrodo mede os sinais retinais de saída de centenas de células simultaneamente e cria um mapa do relacionamento entrada/saída com resolução e escala sem precedentes”.