Modelo em 3D torna possível detectar vírus encubado de herpes

Ingredientes ativos e novos tratamentos podem ser confiavelmente testados com novo modelo. Testes em animais serão dispensados.

taniager

27 Junho 2011 | 13h53

 

O modelo 3D de infecção torna possível analisar mecanismos de infecção como a de herpes. Crédito: Fraunhofer IGB.

O modelo 3D de infecção torna possível analisar mecanismos de infecção como a de herpes. Crédito: Fraunhofer IGB.

Infecções de herpes na boca, nos olhos ou no nariz são dolorosas, duradouras e desagradáveis. Um novo modelo 3D de infecção por herpes traz esperança: ingredientes ativos e novos tratamentos podem ser confiavelmente testados com este modelo. Os testes em animais poderão em breve ser uma coisa do passado.

Queimação e coceira no lábio superior: uma infecção por herpes está avançando. Detectada no início, os números e tamanhos das bolhas podem ser amenizados com pomadas de controle virótico, mas o vírus de herpes simples pode reincidir a qualquer momento. “Cerca de 90 por cento da população mundial transporta-o ao longo de toda a vida. Uma vez infectado, o indivíduo torna-se doente novamente em situações de estresse,” explica Dr. Anke Burger-Kentischer do Instituto Fraunhofer para Engenharia e Biotecnologia Interfacial (IGB) em Stuttgart na Alemanha.

Quando o vírus do herpes fica incubado, não necessariamente se está fora de perigo. No pior dos casos o sistema nervoso e o cérebro se tornam inflamados. O pesquisador, juntamente com sua equipe e o Departamento de sistemas celulares, desenvolveu um modelo 3D de infecção por herpes. Isso torna possível pela primeira vez integrar a complicada fase dormente do vírus em um modelo da pele. Um pedido de patente para o novo processo foi apresentado.

O especialista explica a particularidade do vírus: “depois que as bolhas diminuem, o vírus do herpes se retira para as células nervosas e permanece lá. Nesta fase, apenas o DNA do vírus pode ser testado”. Tão logo um ser humano sofre demasiado estresse, ou mesmo fica exposto aos raios solares intensos, as células nervosas podem liberar o vírus. Ele viaja ao longo das vias neurais para as regiões onde costuma aparecer frequentemente, tornando a nova infecção visível.

Até à data, os modelos de pele usados para testes de drogas e para detectar o vírus têm sido muito simples e não é possível simular o estado de dormência do vírus. “Nós integramos uma linha de células neuronais no modelo de pele certificado pelo IGB e fomos capazes de detectar esta fase de latência pela primeira vez. Assim como nas células nervosas humanas, as partículas do vírus propriamente dito não podem ser vistas; somente a presença de seu DNA pode ser detectada por meio de uma análise PCR (Reação em Cadeia de Polimerase)”, explica o especialista.

Em seguida, o pesquisador e sua equipe expuseram o modelo de pele à radiação ultravioleta em comprimentos de onda de 280 a 315 nanômetros (UVB). Isso reativou o vírus do herpes, e uma infecção no modelo de pele apareceu. A prova desta reativação foi também possível em uma co-cultura. Para isso, os pesquisadores introduziram a linha latente de célula neuronal infectada em um transportador com poros. Posteriormente, as células também foram irradiadas com UVB. O vírus foi reativado e penetrou nos poros, infectando queratinócitos cutâneos cultivados antes. Os queratinócitos são células que produzem a queratina, proteína resistente e impermeável responsável pela proteção da pele.

Para verificar a infecção, os cientistas usaram um anticorpo específico que se liga a uma proteína específica sobre uma camada externa do vírus. A coloração deste anticorpo tornou possível mostrar claramente a infecção das células da pele com o vírus reativado de células nervosas. “O modelo 3D de infecção por herpes, portanto, simula exatamente uma situação in vivo. Experiências em animais no futuro vão ser desnecessárias em grande parte”, explica Burger-Kentischer e a candidata a doutora, Ina Hogk que trabalhou no desenvolvimento do modelo desde o início.

Pesquisas sobre ingredientes ativos poderiam lucrar com o modelo 3D de infecção por herpes, o qual também permite um estudo melhor dos mecanismos de infecção. Este procedimento também poderia ser usado para testar novos medicamentos para o herpes zoster causado por uma estirpe variante do vírus do herpes. Na feira BIO de 27 a 30 de Junho de 2011, em Washington, DC (pavilhão alemão, estande 2305), os pesquisadores estarão respondendo às perguntas sobre seu novo desenvolvimento.