Não é a falta de vontade: células cerebrais que determinam a obesidade

Pesquisador Michael Cowley acredita que os resultados do trabalho uma ligação crucial no combate a epidemia de obesidade.

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08 Setembro 2010 | 15h40

Pesquisador Michael Cowley acredita que os resultados do trabalho uma ligação crucial no combate a epidemia de obesidade. Crédito: Monash University.

Pesquisador Michael Cowley acredita que os resultados do trabalho uma ligação crucial no combate a epidemia de obesidade. Crédito: Monash University.

Uma equipe internacional conduzida pela Universidade de Monash descobriu por que algumas pessoas que se submetem a uma alimentação rica em gorduras permanecem magras, enquanto outras se tornam obesas. De acordo com os pesquisadores, a dieta pode levar células do cérebro a se isolarem dos sinais vitais do organismo que “dizem ao corpo” para parar de comer e queimar a energia consumida.

A pesquisa mostrou que células de apoio no cérebro desenvolveram um crescimento anormal com uma dieta rica em gordura. Isso impediu que células cerebrais regulares (a melanocortina ou neurônios POMC) se conectassem com outros mecanismos neurais, que determinam o apetite e o gasto de energia.

“Estes circuitos neurais regulam comportamentos alimentares, gasto energético e são um processo que ocorre naturalmente no cérebro”, explica Michael Cowley, diretor do Monash Obesity and Diabetes Institute. “Os circuitos começam a se formar no início da vida, de forma que as pessoas podem ter tendência para a obesidade mesmo antes de comer sua primeira refeição”.

Submeter-se a uma dieta rica em gorduras provoca mais isolamento das células nervosas, tornando ainda mais difícil para o cérebro auxiliar a perda de peso de um indivíduo. “As pessoas obesas não têm, necessariamente, falta de força de vontade. Seus cérebros não sabem quão cheios o corpo está ou quanta gordura foi armazenada, então o cérebro não diz ao corpo para parar o abastecimento”, ressalta Cowley. “Consequentemente, a habilidade do corpo para perder peso é significativamente reduzida”.

O artigo sobre o trabalho foi publicado no site da Proceedings of National Academy of Sciences.

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