Nova supernova é identificada em galáxia vizinha M51

Evento que geralmente ocorre uma vez a cada 100 anos em uma mesma galáxia deixa astrônomos surpresos.

root

06 Junho 2011 | 11h19

Supernova está localizada em uma das extremidades do braço da galáxia M51. Crédito: Ilan Manulis, Martin Kraar Observatory.

Supernova está localizada em uma das extremidades do braço da galáxia M51. Crédito: Ilan Manulis, Martin Kraar Observatory.

Uma nova supernova foi observada no céu noturno entre o dia 31 de maio e 1O de junho em um braço espiral de nossa galáxia vizinha M51, a cerca de 26 milhões de anos-luz da Terra. Os primeiros a identificar a supernova foram astrônomos amadores na França e, logo depois, o objeto foi detectado pela Sky Survey PTF e “fotografado” no Martin Kraar Obsevatory, no Weizmann Institute, bem como pelo Tel Aviv University’s Wise Observatory em Mitzpe Ramon.

O objeto está sendo estudado por uma equipe internacional de pesquisadores, que já notaram que o material lançado ao espaço depois da explosão contém uma grande variedade de elementos. A mistura que se observa é atípica em eventos semelhantes e em um estágio tão inicial, o que torna a supernova especialmente interessante para estudos.

A última observação de uma supernova na galáxia M51 ocorreu em 2005. Acredita-se que supernovas surjam apenas uma vez a cada 100 anos em uma galáxia qualquer. O atual evento pode ser explicado pela interação com outra galáxia muito próxima, que poderia ter feito com que o processo de formação de estrelas massivas tenha acelerado – aumentando também o número de explosões de supernovas.

Explosão de estrelas

Explosões de supernovas são verdadeiras “fábricas” do espaço e da vida: produzem todos os elementos pesados encontrados na imensidão do cosmo e até mesmo em nossos corpos. Grandes explosões são eventos altamente energéticos que podem iluminar o céu noturno e perturbar o equilíbrio entre a gravidade – “força” que puxa a matéria da estrela para o seu interior – e a reação termonuclear no núcleo da estrela – capaz de aquecê-lo a ponto de empurrá-lo para fora.

Algumas estrelas mais jovens têm massa de até cem vezes a do sol e nelas a reação nuclear começa com a fusão de hidrogênio em hélio – como ocorre como a nossa estrela do Sistema Solar -, mas a fusão continua produzindo elementos pesados até que não haja mais condições de fundir átomos mais pesados, fazendo com que o equilíbrio entre a gravidade e a atividade termonuclear chegue ao fim. A gravidade então assume o seu papel e a massa da estrela se contrai rapidamente, liberando muita energia no processo posterior à explosão. Assim, a estrela lança suas camadas exteriores para o espaço, e uma nova estrela brilhante toma conta do céu noturno onde antes não havia nada.

Veja também:

Chuva de cristal enfeita nuvem ao redor de estrela embrionária
Tempestades de gás podem interferir em processos galácticos globais
Chandra mostra torrente de formações estelares na galáxia Messier 82
Parto estelar natural: estrelas muito massivas podem ser formadas em “ambientes isolados”
Astrônomos descobrem sistemas estelares que podem explodir
Arco da Corrente de Magalhães é resultado do encontro entre galáxias