Nova técnica lança luz sobre causas de doenças autoimunes

Resposta imune "errada"- em que o ataque é feito contra partes do próprio corpo - pode ser examinadas em detalhes moleculares.

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02 Junho 2011 | 14h15

Desenvolvimento de nova técnica está diretamente ligado ao Projeto Genoma Humano, que colocou à disposição quase todos os genes que o corpo precisa. Crédito: Harvard Medical School.

Desenvolvimento de nova técnica está diretamente ligado ao Projeto Genoma Humano, que colocou à disposição quase todos os genes que o corpo precisa. Crédito: Harvard Medical School.

Uma equipe de pesquisadores de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts desenvolveram um novo método para a identificação de proteínas-alvo do próprio corpo atacadas em doenças autoimunes como a esclerose múltipla, diabetes e artrite reumatoide.

Em um artigo publicado na Nature Biotechnology, os pesquisadores mostraram que respostas imunes “erradas” – o ataque de partes do próprio corpo, em vez da defesa exclusiva contra ameaças externas, como bactérias e vírus – podem ser examinadas em detalhes moleculares. A proposta é interessante porque abre as portas para novos insights que poderiam tanto explicar as causas destas doenças como lançar luz sobre novas formas de tratamento.

O time aprimorou a phage display, técnica de clonagem usada em biologia molecular através da qual é possível isolar vetores de clonagem gerados a partir de bibliotecas genômicas. Para isso, valem-se de fagos infeciosos (vírus que invadem apenas bactérias) para estudar as possíveis interações de proteínas pela integração de genes.

No trabalho, os pesquisadores reproduziram todas as proteínas do corpo humano, sintetizando os fragmentos correspondentes de DNA para a expressão na superfície destes fagos. A nova “biblioteca de proteínas” oferece uma associação física entre a proteína a ser estudada e o gene que a produz, permitindo à equipe procurar e identificar interações entre qualquer proteína humana – inclusive as que ocorrem no sangue de pacientes com doença autoimune.

Ao aplicar este método às doenças autoimunes, a equipe desenvolveu uma técnica chamada phage immunoprecipitation sequencing (“PhIP-Seq”) – sequenciamento de imunoprecipitação do fago. Os pesquisadores então usaram líquido cefalorraquidiano de três pacientes com doenças autoimunes, identificando interações entre anticorpos e a proteína do corpo que impulsionou a resposta autoimune.

De acordo com H. Benjamin Larman, responsável pelo artigo, o estudo sugere que pequenas amostras de sangue de um paciente diabético, do líquido sinovial de uma articulação com artrite ou líquido cefalorraquidiano de um paciente com esclerose múltipla, poderiam ser usadas para sinalizar as interações com proteínas específicas da biblioteca.

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