Novo tratamento de estenose aórtica severa pode salvar muitas vidas

O trabalho é o primeiro ensaio clínico randomizado a comparar a eficácia do uso de uma válva de transcateter chamada "TAVI"

taniager

24 Setembro 2010 | 16h38

Dr. Craig Miller argumenta que o procedimento

Dr. Craig Miller argumenta que o procedimento "é interessante, porque o tratamento salva vidas e é a maior mudança de paradigma médico". Crédito: cortesia da Universidade de Stanford.

Pessoas muito debilitadas ou idosas com estenose aórtica severa não apresentam as condições desejadas para realizarem uma cirurgia de coração aberto para o implante de válvas. O procedimento poderia ser tão fatal quanto é a doença para elas. Mas agora, implantar uma nova válva de tecido bioprotético usando nova abordagem desenvolvida por uma equipe de pesquisadores de várias instituições está salvando suas vidas, de acordo com o estudo publicado no New England Journal of Medicine recentemente.

“Isto é interessante, porque o tratamento salva vidas e é a maior mudança de paradigma médico,” disse Craig Miller, professor de cirurgia cardiovascular na Faculdade de Medicina de Stanford, EUA, e um dos principais autores do artigo. “Os pacientes estavam realmente doentes com um problema fatal, e agora eles estão se sentindo melhor e ficam fora do hospital. Antes, não havia nada para lhes oferecer de concreto”. 

O trabalho é o primeiro ensaio clínico randomizado a comparar a eficácia do uso de uma válva de transcateter chamada “TAVI” (implantada percutaneamente através de uma artéria na virilha que vai diretamente ao coração batendo) com uma rotina de terapia médica, que inclui valvuloplastia aórtica de balão para aliviar os sintomas. A valva é fabricada com “stent” de aço inoxidável e pericárdio bovino.

Um total de 358 doentes com estenose aórtica grave, uma doença de coração caracterizada pela obstrução da válva aórtica devido à calcificação, participou da avaliação. Estes pacientes estavam muito debilitados pela doença, que provoca falta de ar, fadiga e insuficiência cardíaca congestiva, ou eram muito idosos. O atendimento padrão para este tipo de pacientes costuma ser a terapia médica. 

Decorridos dois anos após o procedimento, 70 % dos pacientes que receberam o implante da valva percutânea sobreviveram, em contraste com a sobrevivência de 49,3 % dos pacientes tratados com terapia clínica padrão. 

“A conclusão mais impressionante no estudo é a redução de 20% de mortalidade,” disse William Fearon, professor de medicina cardiovascular na Universidade de Stanford, EUA, que também participou do estudo. “Além do benefício da sobrevivência, a melhoria da qualidade de vida dos pacientes com base em seus sintomas e sua capacidade de se exercitar é dramática”. 

Estudos futuros estão sendo planejados para determinar a durabilidade das válvas TAVI e também para determinar se esse procedimento pode ser benéfico em outros pacientes mais jovens e de menor risco em cirurgias de coração aberto.

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