Ovário artificial pode nutrir folículos precoces até a maturidade plena

Novidade, publicada no Journal of Assisted Reproduction and Genetics, pode ajudar mulheres que se submetem a quimioterapias.

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14 Setembro 2010 | 14h59

"Colmeia" de células da teca cultivada (linha superior) abriga esferas de células da granulosa (CG). A linha inferior mostra o tecido depois de 48 horas (esquerda) e depois de cinco dias.

Pesquisadores da Universidade Brown desenvolveram ovários humanos artificiais que podem gerar ovócitos em óvulos maduros em laboratório. A novidade, publicada no Journal of Assisted Reproduction and Genetics, pode ajudar mulheres que se submetem a quimioterapias e outros tratamentos.

A equipe já usou o órgão cultivado em laboratório para amadurecer óvulos humanos. A técnica pode ser usada futuramente para tratar infertilidade e também pacientes com câncer. “Um ovário é composto por três tipos principais de células, e esta é a primeira vez que alguém criou uma estrutura 3-D de tecido com a tripla linhagem”, diz Sandra Carson, professora de obstetrícia e ginecologia da universidade.

O ovário artificial proporciona um laboratório vivo para o entendimento do órgão, mas também pode atuar como um teste para ver como, por exemplo, a exposição a toxinas perturba a maturação do ovo e saúde do organismo. Em pacientes que precisam se submeter a tratamentos como quimioterapia ou radio, os ovos imaturos poderiam ser recuperados e congelados antes do início da terapia, sendo posteriormente trabalhados no ovário artificial.

Construção do ovário artificial

O que difere o ovário artificial de uma mera cultura de células é que há um arranjo 3-D semelhante ao órgão, contendo três tipos de células. Os pesquisadores formaram favos de células da teca, doadas por pacientes em idade reprodutiva. Quando elas cresceram em forma de favo de mel, aglomerados esféricos de células da granulosa foram inseridos nos orifícios, juntamente com óvulos humanos conhecidos como oócitos. Em alguns dias as células da teca foram envoltas pela granulosa e os óvulos, imitando um ovário real.

Então, a equipe quis saber se aquela estrutura poderia funcionar realmente como um ovário, amadurecendo os ovos. Em experimentos, a estrutura foi capaz de nutrir os ovos a partir de folículos precoces até a maturidade plena. “Isso representa o primeiro sucesso na utilização da engenharia de tecidos 3-D para maturação de oócitos in vitro”, descreveram os autores do artigo.

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