Paracetamol na infância é associado a um risco maior de asma

Resultados do estudo não provam que o paracetamol cause a asma; pode ser que crianças tratadas sejam mais propensas.

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30 Novembro 2010 | 14h06

Crédito: Creative Commons - Mateus Hidalgo.

Crédito: Creative Commons - Mateus Hidalgo.

O uso de paracetamol na infância está associado a um risco maior de desenvolver asma e alergias ao longo da vida. Um estudo neo-zelandês mostra que crianças que receberam o medicamento antes dos 15 meses (90%) tinham três vezes mais chances de serem sensibilizados a alérgenos. Crianças entre cinco e seis anos eram mais propensas à sibilância e asma – embora nesta faixa o risco de alergia tinham desaparecido.

A equipe ressalta que os resultados não provam que o paracetamol cause a asma. É possível que crianças que receberam o medicamento anteriormente são as que, eventualmente, sejam mais propensas a infecções, alergias e asma. O trabalho analisou 505 crianças de até cinco anos e 914 meninos e meninas entre cinco e seis anos de idade.

“O problema é que o paracetamol é dado de forma muito liberal para crianças pequenas”, ressalta Julian Crane, professor da Universidade de Otago em Wellington e autor do relatório. “Há muitas evidências que sugerem que algo está acontecendo aqui”.

O paracetamol, encontrado em muitos medicamentos, é de longe o tratamento mais popular para tratar dores e febre em crianças, principalmente depois que a utilização da aspirina caiu em função da associação com uma condição potencialmente fatal conhecida como síndrome de Reye.

“Precisamos de ensaios clínicos para verificar se estas associações são causais ou não, e esclarecer o uso deste comum medicamento”, diz Crane. Entretanto, os pesquisadores são enfáticos ao afirmar que, não tendo certeza se o paracetamol pode causar asma, é a melhor pedida para tratar crianças, em detrimento das aspirinas.

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Paracetamol in childhood is associated with an increased risk of the
and allergies