Equipe afirma ter aprisionado átomos de antimatéria por 16 minutos

Tempo é suficiente para estudo detalhado das propriedades de uma das mais intrigantes incógnitas do universo.

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06 Junho 2011 | 11h46

Crédito: Maximilien Brice - Cern.

Crédito: Maximilien Brice - Cern.

Uma equipe do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN) relata em artigo publicado na versão online da Nature Physics que conseguiu aprisionar átomos de antimatéria por mais de 16 minutos. É o tempo suficiente para que pesquisadores consigam estudar suas propriedades em detalhes.

Atualmente, vivemos em um universo aparentemente feito inteiramente por matéria, ainda que durante o Big Bang matéria e antimatéria pareçam ter existido em quantidades iguais. Entretanto, a natureza parece ter uma ligeira preferencia por matéria – permitindo a formação de tudo o que existe no cosmo. Uma forma de analisar esta tendência natural é comparar átomos de hidrogênio com seus homólogos de antimatéria, o que torna o resultado especialmente importante.

“Podemos manter os átomos de anti-hidrogênio aprisionados durante 1000 segundos”, disse o porta-voz do experimento Alpha, Jeffrey Hangst. “Este é o tempo suficiente para começarmos a estudá-los, mesmo diante do pequeno número que temos até agora”.

No artigo os pesquisadores relatam que 300 antiátomos presos foram estudados. Este “acúmulo” de antiátomos permitirá que o anti-hidrogênio seja mapeado com precisao, usando laser ou espectroscopia microondas  para que possa ser comparado ao átomo de hidrogênio – um dos elementos mais conhecidos atualmente pela Física. Qualquer diferença entre eles se tornará aparente após uma cuidadosa análise. Também abre as portas para medir a influência da gravidade sobre a antimatéria.

Antimatéria

A antimatéria é criada no universo após a colisão entre partículas de alta energia, tal como ocorre no centro de galáxias. Apesar disso, até hoje nenhum tipo de antimatéria foi detectada como resíduo do Big Bang – a grande “explosão” que teria originado o universo e, consequentemente, a vida. Esta condição deixa pesquisadores inquietos, pois levanta a hipótese de que haja “outros lugares” possivelmente constituídos por antimatéria.

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