Pesquisadores encontram forma de encolher tumores específicos

Pesquisadores regridem tumor primário pela simples entrega de um inibidor de microRNA, que aciona o papel de um gene "guardião do corpo".

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28 Setembro 2010 | 11h21

Uma equipe de pesquisadores australianos e estadunidenses descobriu uma maneira de encolher tumores em certos tipos de câncer. A descoberta dá esperança para novos tratamentos.

O tipo de câncer que pode ser controlado é aquele causado por uma nova classe de genes conhecida como “microRNAs” – produzidos em partes do genoma e que até então eram considerados “lixo de DNA”. Embora muita coisa ainda seja desconhecida a este respeito, sabe-se que eles podem interferir na forma como nossos genes são lidos.

Os pesquisadores identificaram um microRNA específico – microRNA 380 – que surge para desativar o gene supressor do tumor P53. Conhecido como guardião do genoma, deve sofrer uma mutação ou apresentar alguma deficiência para ser incapaz de proteger o corpo contra células cancerosas.

O trabalho em questão foi focado no neuroblastoma, um câncer infantil do sistema nervoso. De acordo com a equipe, 99% dos pacientes não apresentam mutações do gene P53. Os pesquisadores descobriram, no entanto, que o neuroblastoma desativa o P53 pela superprodução de microRNA 380. Quando o microRNA é bloqueado, a produção do P53 é retomada, as células cancerosas morrem e os tumores regridem.

“A coisa mais revolucionária sobra a descoberta é que é a primeira vez que alguém conseguiu bloquear o  crescimento de um tumor primário pela simples entrega de um inibidor de microRNA”, diz Alex Swarbrik, do Instituto de Pesquisa Médica Garvan em Sydney. “Por isso, quero dizer que entregamos um inibidor de microRNA em uma forma que podemos dar a uma pessoa – com uma injeção, duas vezes por semana – sem usar qualquer truque genético”.

Como funciona

Quando o gene P53 é transcrito ou “lido”, uma cópia é feita no RNA. Em uma célula normal, o RNA P53 carrega as instruções para a produção de proteínas P53 – que desempenham a função de suprimir células de tumor.

“MicroRNAs agem para controlar a produção das proteínas – as moléculas que fazem o trabalho das células”, explica Swarbrick. “No câncer que estamos discutindo, o nosso microRNA se liga ao RNA P53, impedindo a produção de proteínas. Isso efetivamente reduz o número de proteínas P53 em uma célula, e permite que o tumor cresça”.

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