Problemas em prematuros podem persistir até a fase adulta

Psicóloga Anne-Li percebeu que problemas de concentração, por exemplo, persistem ao longo da fase escolar em crianças que nasceram prematuras.

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10 Setembro 2010 | 17h00

Muitos dos problemas que bebês prematuros manifestam aos dez anos de idade provavelmente irão persistir até a fase adulta. De acordo com um trabalho da Universidade Lund, baseado em dados de indivíduos que nasceram antes da 29ª semana de gestação, as dificuldades podem resultar inclusive em baixo rendimento escolar.

A psicóloga Anne-Li Hallin trabalhou com mais de 100 jovens de 18 anos que nasceram na década de 1980. Metade nasceu antes da 29ª semana de gestação e metade nasceu no período normal. Trabalhando em cima das análises de Karin Stjernqvist, que havia coletado informações sobre crianças de dez anos que nasceram prematuras, Anne-Li percebeu que problemas de concentração, por exemplo, persistem ao longo da fase escolar.

“Bebês prematuros têm, frequentemente, menos contato social, mas eles estão satisfeitos com sua vida social, o que é realmente a coisa mais importante”, diz Anne-Li. Entretanto, há indícios de que indivíduos que nasceram prematuros tenham dificuldade de se relacionar com outras pessoas – algo que poderia colocá-los em um risco maior para doenças mentais.

“Hoje o desenvolvimento motor e neurológico das crianças é muito estudado, enquanto menos atenção é dada para o desenvolvimento emocional e a ansiedade gasta nos primeiros meses no hospital após o nascimento, tanto para a criança quanto para os pais”, ressalta a pesquisadora.

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