Processamento linguístico vale para palavras e números

Processo de armazenamento e reutilização de sintaxe "trabalha em vários domínios cognitivos".

taniager

06 de junho de 2011 | 19h04

Crédito: APS - Association for Psychological Science.

Crédito: APS - Association for Psychological Science.

Provavelmente não podemos antecipar ou memorizar cada palavra, frase ou sentença possível. Mesmo assim, não temos nenhum problema em construir e entender miríades de novas expressões todos os dias. Como fazemos isso? Linguistas dizem que empregamos, naturalmente e inconscientemente, regras abstratas — a sintaxe.

Quanto abstrata é a língua? Qual é a natureza dessas representações abstratas?  E valem as mesmas regras na viagem entre os reinos de cognição? Um novo estudo explorando estas questões — pelos psicólogos Christoph Scheepers, Catherine J. Martin, Andriy Myachykov, Kay Teevan e Izabela Viskupova da Universidade de Glasgow na Escócia, e Patrick Sturt da Universidade de Edimburgo no Reino Unido — faz o que Scheepers chama de “uma impressionante constatação nova”: o processo de armazenamento e reutilização de sintaxe “trabalha em vários domínios cognitivos”.

Mais especificamente: “A estrutura de uma equação matemática resolvida corretamente é preservada em memória e determina a estruturação de uma frase subsequente que uma pessoa tem para completar”. Neurocientistas tinham descoberto evidências que sugeriam  uma ligação entre a matemática e a língua, mas esta é a primeira vez que são mostradas em um sistema comportamental.

O estudo utilizou um processo cognitivo chamado “preparação estrutural” (“structural priming” em inglês). Simplificando, se você usa certo tipo de estrutura em uma frase, é provável que você a use novamente em uma sentença posterior.

As conclusões serão publicadas em uma próxima edição da revista Psychological Science da Association for Psychological Science (APS).

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