Proteínas de pele de sapo possuem grande potencial para tratar câncer

As duas proteínas, ou peptídeos, podem ser utilizadas de forma controlada e direcionada para regular angiogênese.

taniager

07 Junho 2011 | 12h17

Rã Macaco Cerosa (Waxy Monkey Frog em inglês). Crédito: Queen's University, Belfast.

Rã Macaco Cerosa (Waxy Monkey Frog em inglês). Crédito: Queen's University, Belfast.

Nova pesquisa mostrou como proteínas descobertas em peles de rã e sapo poderiam ser usadas para tratar câncer, diabetes, derrame e pacientes de transplantes, regulando o crescimento dos vasos sanguíneos.

A equipe liderada por Chris Shaw, na Faculdade de Farmácia da Universidade de Queen em Belfast, Irlanda, identificou duas proteínas ou peptídeos que podem ser utilizados de forma controlada e direcionada para regular a angiogênese – o processo pelo qual os vasos sanguíneos crescem no corpo. A descoberta tem potencial para desenvolver novos tratamentos para mais de setenta doenças e desordens que afetam mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo.

As proteínas são encontradas nas secreções da pele da rã “Macaco Cerosa” e do sapo gigante “Barriga de Fogo”. Os cientistas capturam as rãs e suavemente extraíram as secreções, antes de liberá-los novamente para a selva. As rãs não são prejudicadas de forma alguma durante o processo.

 Shaw explica que as proteínas descobertas têm a capacidade de estimular ou inibir o crescimento dos vasos sanguíneos. Por “desligar” a angiogênese e inibir o crescimento de vasos sanguíneos, uma proteína de rã Macaco Cerosa tem o potencial para matar os tumores do câncer. A maioria dos tumores de câncer só pode crescer até um determinado tamanho, antes que precise desenvolver vasos sanguíneos para fornecer os nutrientes e o oxigênio vital. Parar o crescimento dos vasos sanguíneos faria com que o tumor fosse menos propenso a se espalhar e poderia eventualmente matá-lo. Isso tem o potencial para transformar o cancro de uma doença terminal em uma desordem crônica.

O pesquisador prossegue afirmando que, por outro lado, uma proteína encontrada no sapo gigante de Barriga de Fogo, “liga” a angiogênese e estimula o crescimento de vasos sanguíneos. Ela tem potencial para tratar uma vasta gama de doenças e desordens que exijam vasos sanguíneos para reparar rapidamente, por exemplo, cicatrização de feridas, transplantes, úlceras diabéticas e danos causados por desordens ou doenças cardíacas.

Muitas pesquisas envolvendo grandes custos financeiros têm sido feitas para desenvolver drogas eficientes para angiogênese nos últimos quarenta anos sem sucesso. A descoberta da equipe soluciona o problema, uma vez que existe “uma droga maravilhosa”, segundo Shaw, na natureza para tratar o câncer e que está ao alcance de todos sem ser preciso trabalhar demais para que funcione.