Composto pode reparar danos da esclerose múltipla em ratos

Tratamento eficaz da doença poderá ser possível em um futuro próximo por meio de um medicamento para a dor crônica.

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19 Novembro 2010 | 11h12

Linda Watkins, responsável pelo trabalho. Crédito: University of Colorado.

Linda Watkins, responsável pelo trabalho. Crédito: University of Colorado.

Tratar de forma bem sucedida e reverter os efeitos da esclerose múltipla pode ser possível daqui alguns anos usando um medicamento originalmente desenvolvido para cuidar da dor crônica. É o que afirmam pesquisadores da Universidade do Colorado, em Boulder, após descobrir que apenas uma injeção do composto chamado ATL313 – um remédio anti-inflamatório – impediu a progressão da esclerose múltipla e a paralisia em ratos.

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória em que o sistema imunológico da pessoa ataca uma bainha protetora, conhecida como mielina, que envolve os nervos da medula espinhal e do cérebro. Conforme a doença progride, a mielina desenvolve lesões ou cicatrizes que causam problemas neurológicos pemanentes.

“O que acontece agora com as drogas de esclerose múltipla é retardar ou parar a progressão da doença, mas não tratá-la”, explica Linda Watkins, responsável pelo trabalho. “Eles não devolvem a vida das pessoas ao normal, pois os danos causados não cicatrizam”.

A equipe esperar agora usar imagens do cérebro e medula espinhal para avaliar se ratos que receberam a injeção de ATL313. “Se tivermos uma droga capaz de curar estas lesões, este tratamento poderia ser um grande avanço na forma como tratamos os sintomas da esclerose múltilpla no futuro”.

No começo do trabalho, os pesquisadores buscavam um tratamento para a dor crônica destes pacientes. Descobrir que a droga pode retardar a evolução da doença foi uma surpresa. “O que estávamos pensando, no começo, é que esta classe de compostos iriam acalmar as células gliais na medula espinhal, pois sua atuação pró-inflamatória é o que causa a dor”.

Em circunstâncias normais, as glias agem limpando detritos de neurônios. Entretanto, um trabalho recente de Waltkins demonstrou que estas células também podem agir como atores-chave na promoção da dor. A droga ATL-313 parece tirar as glias deste estado de “raiva”para um estado de “calma”, atuando como anti-inflamatórios. Poderiam, assim, potencialmente curar as lesões da esclerose múltipla.