Remoção do apêndice e amígdalas aumenta risco de ataque cardíaco

Estudo mostra que chances de doença cardíaca prematura aumentam se a remoção é realizada antes dos 20 anos de idade.

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01 Junho 2011 | 12h17

A remoção cirúrgica do apêndice e das amígdalas antes dos 20 anos está associada a um risco maior de ataque cardíaco prematuro. Um estudo realizado na Suécia mostra que as chances podem aumentar em até 44% (hazard ratio de 1,44) após a amigdalectomia e 33% (hazard ratio de 1,33) após a apendicectomia – sendo ainda maior quando ambas as operações são realizadas na mesma pessoa. Os dados são significativos apenas do ponto de vista estatístico, já que jovens têm risco bem menor para problemas cardíacos. No entanto, o trabalho não encontrou associação de risco evidente quando os procedimentos foram realizados em pessoas acima dos 20 anos de idade.

Apêndice e amígdalas são órgãos linfoides, ou seja, compõem parte do sistema imunológico. No entanto, têm uma importância modesta no organismo. A recorrência de amigdalites ou apendicite – causada por infecção – é um dos motivos que levam médicos a optar pela remoção. Contudo, alguns estudos evidenciam que a retirada destes dois órgãos podem ter efeitos moderados em longo prazo sobre o sistema imunológico, alterando o risco para doenças autoimunes, por exemplo.

“Dada as forte evidências biológicas e epidemiológicas interligando a inflamação com a doença cardíaca coronária, pode-se antecipar que a remoção cirúrgica de amigdalas e apêndice, com os seu consequentes efeitos sobre a imunidade, também pode ter um efeito de longo prazo sobre a doença coronariana”, diz Imre Janszky, pesquisador do Departamento de Saúde Pública do Instituto Karolisnka, em Estocolmo.

O estudo, publicado hoje no European Heart Journal, analisou os registros nacionais de saúde de cada cidadão sueco nascido entre 1955 e 1970, identificando quem teve amigdalas ou apêndice removido. Estes indivíduos foram então acompanhados durante uma média de 23,5 anos para a verificação cruzada de ataques cardíacos fatais e não fatais (infarto agudo do miocárdio).

Os resultados mostram que estes casos tiveram maior prevalência de infarto agudo do miocárdio do que os casos de controle. A explicação para os dados pode estar no fato de que a retirada dos órgãos linfoides secundários afeta vários aspectos da atividade imunológica – incluindo a diminuição de imunoglobulinas.

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