Répteis voadores e pássaros dividiram espaço aéreo sem grandes conflitos

Os pterossauros, répteis voadores que conviveram com os dinossauros, não foram extintos pelos pássaros como se supunha.

taniager

06 Julho 2011 | 16h54

A imagem é uma concepção artística dos extremos na morfologia de pterossauros. O gigante e provavelmente voador Quetzalcoatlus do Cretáceo Superior do Texas, EUA, era tão alto quanto uma girafa. O pequeno insetívoro Anurognathus do Jurássico Superior da Alemanha é visto voando acima da cabeça de um homem. Crédito: Mark Witton.

A imagem é uma concepção artística dos extremos na morfologia de pterossauros. O gigante e provavelmente voador Quetzalcoatlus do Cretáceo Superior do Texas, EUA, era tão alto quanto uma girafa. O pequeno insetívoro Anurognathus do Jurássico Superior da Alemanha é visto voando acima da cabeça de um homem. Crédito: Mark Witton.

Os pterossauros, répteis voadores que conviveram com os dinossauros, não foram extintos pelos pássaros como se supunha. Na verdade, continuaram a se diversificar e inovar por milhões de anos depois. A afirmação resulta de um trabalho de conclusão de curso em Paleontologia e Evolução realizado por uma aluna de graduação da Universidade de Bristol no Reino Unido. O artigo foi publicado em Journal of Systematic Palaeontology hoje.

A aluna Katy Prentice mostrou que os pterossauros evoluíram de maneira muito incomum, tornando-se gradualmente mais especializados nos seus 160 milhões de anos na Terra.

“Normalmente, quando um novo grupo de animais ou plantas evolui, experimentam rapidamente todas as opções. Quando fizemos este estudo, acreditávamos que os pterossauros não haviam mudado”, disse Katy. “Estes répteis foram os primeiros animais voadores – apareceram na Terra 50 milhões de anos antes do Archaeopteryx, o primeiro pássaro – e foram bons no que faziam. Mas o mais surpreendente é que eles somente começaram a evoluir quando as aves apareceram”.

O estudo de Katy foi realizado em conjunto com seus supervisores, Marcello Ruta e Michael Benton e levou em consideração 50 pterossauros diferentes que variavam em tamanho, desde a dimensão de um melro até o maior de todos, o Quetzalcoatlus, com uma envergadura de 12 metros, quatro vezes o tamanho do maior pássaro voador existente atualmente, o albatroz. Os pesquisadores rastrearam como todos os grupos de pterossauros que apareceram e desapareceram durante toda a sua história e gravaram em pormenor as formas dos corpos e suas adaptações.

Diversidade de estruturas cranianas de pterodactyloid pterossauros, mostrando variações na forma da mandíbula, presença e ausência de dentes, proporções do crânio e cristas no focinho e na parte de trás do crânio. Os pterossauros mostrados são: A, Dimorphodon; B, Ranforrinco; C, Coloborhynchus; D, Pteranodon; E, pterodáctilo; F, Pterodaustro; G, Dsungaripterus; H, Tupandactylus; I, Thalassodromeus. Crédito: Mark Witton.

Diversidade de estruturas cranianas de pterodactyloid pterossauros, mostrando variações na forma da mandíbula, presença e ausência de dentes, proporções do crânio e cristas no focinho e na parte de trás do crânio. Os pterossauros mostrados são: A, Dimorphodon; B, Ranforrinco; C, Coloborhynchus; D, Pteranodon; E, pterodáctilo; F, Pterodaustro; G, Dsungaripterus; H, Tupandactylus; I, Thalassodromeus. Crédito: Mark Witton.

Os resultados mostram que estes antigos répteis permaneceram inalterados por 70 milhões de anos e então começaram a experimentar todos os tipos de modos de vida. Quando os pássaros surgiram e se tornaram bem sucedidos, os pterossauros não foram extintos como se acreditava. Na verdade, em resposta aos novos voadores, transformaram-se em animais maiores e experimentaram novos estilos de vida. Muitas das novas adaptações de estilo de vida podem ser observadas em crânios de pterossauros, modificados para melhor se ajustar às novas fontes alimentares. Alguns eram comedores de sementes, outros de peixes, e mais tarde, alguns ainda perderam seus dentes. O restante do corpo também mostra uma quantidade surpreendente de variações entre os diferentes grupos, quando se leva em consideração que as formas corporais têm de manter muitas estruturas indispensáveis ao voo.

“Os pterossauros chegaram a seu auge há cerca de 125 milhões de anos, justamente quando os pássaros tornaram-se diversificados também”, disse Marcello Ruta. “Nossos novos estudos numéricos de todas as suas características físicas mostram que estes répteis tornaram-se três vezes mais diversificados devido às adaptações no Cretáceo do que no Jurássico (quando o Archaeopteryx e as aves ainda não existiam)”.

Estes répteis voadores diminuíram e desapareceram há 65 milhões de anos durante a extinção em massa que matou também os dinossauros. Enquanto viveram, dividiram o eco espaço aéreo com os pássaros sem maiores conflitos.