Idade subjetiva afeta mais habilidade cognitiva do que idade cronológica

Não se sabe ainda se é a sensação de bem estar que afeta a capacidade cognitiva ou se as habilidades cognitias que contribuem para a felicidade.

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22 de fevereiro de 2010 | 19h43

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A "idade subjetiva" parece afetar mais as habilidades cognitivas do que a idade cronólgica, aponta estudo da Universidade de Pordue.

Talvez você não seja apenas o que come; talvez você seja o que diz ser. E dizer que está velho pode realmente ter profundas implicações nos processos de envelhecimento. De acordo com uma pesquisa da Universidade de Pordue, nos EUA, o fato de se sentir mais novo ou mais velho do que a idade cronológica influencia as habilidades cognitivas de uma pessoa a ponto de produzir mais resultados do que o próprio processo natural do corpo.

Para o estudo, os pesquisadores compararam a idade cronológica e a “idade subjetiva” (ou seja, a idade que se sente ter), para saber qual poderia afetar mais ax habilidades cognitivas durante a velhice. Cerca de 500 pessoas entre 55 e 74 anos foram analisadas entre 1995 e 2005. Há mais de dez anos, estes indivíduos responderam com que idade se sentiam. A maioria respondeu pelo menos dez anos a menos do que de fato tinham cronologicamente.

“Descobrimos que aquelas pessoas que se sentiam jovens para a idade eram mais propensos a ter maior confiança em suas habilidades cognitivas depois de uma década”, afirma Markus Schafer, autor do estudo. “Sim, a idade cronológica foi importante, mas a idade subjetiva teve um efeito mais forte”.

Os pesquisadores não sabem, no entanto, o que vem primeiro: se a sensação de bem estar afeta a capacidade cognitiva ou se as habilidades cognitivas contribuem para a felicidade. De qualquer maneira, os resultados da análise podem ter implicações negativas e positivas.

“Há uma ênfase muito forte da nossa sociedade em permanecer jovem e isso pode ter um efeito negativo nas pessoas”, ressalta Schafer. “As pessoas querem se sentir novas e quando a idade chega – inevitavelmente – elas podem perder muita confiança nas suas capacidades cognitivas”. Por outro lado, há um desejo crescente em se manter jovem, e atividades e tendências para manter esta sensação de juventude podem trazer benefícios. “Aprender novas tecnologias é uma forma de continuar a melhor as capacidades cognitivas”, exemplifica o pesquisador.

Estudos anteriores mostraram que as mulheres estão mais propensas a estereótipos de envelhecimento. Assim, Schafer acreditava que os resultados da pesquisa em questão fossem mostrar o mesmo caminho. “Há uma diferença sutil entre homens e mulher, mas não é tão pronunciada quanto esperávamos”, explica. “Isso foi surpreendente, devido à ênfase na beleza física e na juventude, muitas vezes exagerada entre elas”.

Schafer também está estudando como eventos estressantes e problemas de saúde na família afetam o envelhecimento, bem como a associação entre felicidade e envelhecimento.

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