Invisibilidade pode ser possível na quarta dimensão

Luz manipulada no espaço-tempo produz manto que encobre a visão do movimento de objetos para expectadores.

taniager

16 Novembro 2010 | 14h14

Manto permite que objetos movam-se sem serem detectados. Crédito: Imperial College London.

Manto permite que objetos movam-se sem serem detectados. Crédito: Imperial College London.

Físicos do Imperial College de Londres, Reino Unido, desenvolveram uma receita para manipular a velocidade da luz que passa através de um objeto, tornando teoricamente possível “encobrir” o movimento do objeto de modo que um observador não possa notá-lo.

O estudo envolve uma nova classe de materiais, os metamateriais, que podem ser projetados artificialmente para distorcer ondas de luz e som. Com materiais convencionais, a luz viaja em linha reta, mas com os metamateriais é possível flexibilizar o trajeto da luz para criar pontos cegos indetectáveis. Ao fazer a deflexão de certas partes do espectro eletromagnético, uma imagem pode ser alterada ou fazer com que ela pareça ter desaparecido.

Em resumo, a equipe liderada por Martin McCall do departamento de física ampliou matematicamente a ideia do manto que esconde objetos para uma que esconde eventos. Isto quer dizer que a invisibilidade na quarta dimensão – a dimensão do tempo – é possível, ou seja, a propagação de luz pode ser manipulada para se criar uma “lacuna temporal”, permitindo momentos de invisibilidade indetectáveis para o expectador. A pesquisa foi publicada hoje na revista Journal of Optics.

McCall explica que “o nosso manto que cobre o evento no espaço-tempo funciona ao dividir a luz propagada em duas partes: uma parte principal é acelerada e passa antes de um evento, a outra parte restante é desacelerada e passa depois. As duas partes de luz são então novamente anexadas perfeitamente em uma única, o que deixa os observadores na ignorância.”

Alberto Favaro, membro da equipe, explica que “isto é diferente dos dispositivos comuns de disfarce, porque não há uma tentativa de desviar a luz em torno de um objeto. Em vez disso, o processo puxa para distante os raios de luz no tempo, o mesmo que abrir uma cortina de teatro – se cria um corredor temporário por meio do qual energia, informação e matéria podem ser manipuladas ou transportadas sem serem detectadas”.

O pesquisador Paul Kinsler está entusiasmado com a evidência de seu conceito concebido que emprega versões padronizadas de fibras ópticas já utilizadas em telecomunicações para obter a façanha. A equipe acredita que suas descobertas iniciarão uma corrida para criar um manto de espaço-tempo prático.

Como realizar sonhos de ladrão, a óptica inovadora promete emocionantes avanços em computação quântica, que depende da manipulação da luz para a transmissão segura de grandes quantidades de dados.

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