Telescópio capta condições da maior tempestade do Sistema Solar

Imagens do Very Large Telescope da ESO mostram redemoinhos de ar quente e regiões frias na Grande Mancha Vermelha de Júpiter.

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17 de março de 2010 | 12h35

Imagens mostram a interação de três das maiores tempestades de Júpiter - a Grande Mancha Vermelha e duas tempestades menores apelidadas de Oval BA e Little Red Spot. Crédito: ESO/NASA/JPL/ESA/L. Fletcher

Imagens mostram a interação de três das maiores tempestades de Júpiter - a Grande Mancha Vermelha e duas tempestades menores apelidadas de Oval BA e Little Red Spot. Crédito: ESO/NASA/JPL/ESA/L. Fletcher

Imagens fornecidas pelo Very Large Telescope da ESO com o auxílio de outros potentes telescópios terrestres mostram redemoinhos de ar quente e regiões frias. O fenômeno nunca havia sido visto no interior da Grande Mancha Vermelha de Júpiter. A partir disso, os pesquisadores poderão fazer o primeiro mapa detalhado desta tempestade, relacionando temperatura, ventos, pressão e composição com a cor.

“Antes pensávamos que a Grande Mancha Vermelha era uma oval simples sem uma estrutura muito grande, mas os novos resultados mostram que, de fato, ela é extremamente complicada”, ressalta Glenn Orton, responsável pelo estudo. Na verdade, as imagens revelam que a parte vermelho escuro corresponde a um núcleo quente no interior de um sistema de tempestade frio. Os pesquisadores também observaram a presença de zonas escuras na periferia da tempestade – onde gases descem para regiões mais internas do planeta.

Há centenas de anos pesquisadores observam a Grande Macha Vermelha: uma região fria, de cerca de – 160ºC, tão grande que comportaria três Terras. As imagens obtidas atualmente com o instrumento VISIR, montando no VLT do ESO, revelam que a tempestade é bastante estável, apesar da turbulência.

“Uma das descobertas mais intrigantes é que as cores vermelho e laranja mais intensas situadas na parte central da mancha indicam uma temperatura de três a quatro vezes mais elevada do que o resto”, aponta Leigh Fletcher, autor principal do trabalho.  

Esta diferença é suficiente para permitir que a circulação da tempestade, normalmente no sentido anti-horário, resulte em uma circulação mais fraca no centro. Esta variação de temperatura pode inclusive alterar a velocidade do vento, afetando o padrão das nuves nas bandas e zonas.

“Esta é a primeira vez que podemos dizer que existe uma relação íntima entre as condições ambientais – temperatura, ventos, pressão e composição – e a cor da Grande Mancha Vermelha,” diz Fletcher. “Embora possamos pressupor, ainda não sabemos ao certo quais os elementos químicos ou processos que causam a intensa cor vermelha. No entanto, sabemos agora que esta cor está relacionada com as variações das condições climatéricas mesmo no centro da tempestade“.

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